Cinco perguntas para Marcus Ferreira

16 outubro 2013 | deixe seu comentário (0)

O economista e produtor cultural mantém relacionamento estreito com a preservação do patrimônio histórico da capital mineira. Há 27 anos, fundou o Grupo Asas, que desenvolve projetos entre empresas e seus públicos. Criou, recentemente, o programa de educação patrimonial “Conhecer para Cuidar” com o objetivo de despertar na sociedade o senso de preservação da memória.

Porque construir maquetes de edifícios tombados e doá-las?
O Conhecer Para Cuidar reúne maquetes de bens tombados de BH e de outras cidades de Minas, São Paulo e Rio. Acredito, como Santo Agostinho, que “amamos à medida que conhecemos”. Nesse contexto, ao montar maquetes de patrimônios, penso que as pessoas intensificam a sua relação com os bens que devem ser preservados, como a sede do Minas Tênis Clube, na cidade, e a Igreja Nossa Senhora da Piedade, de Brumadinho.

Para você o que é morar em Belo Horizonte?
É ter um pouco do bom de uma metrópole, assim como um pouco do que precisamos melhorar: mobilidade, segurança etc.

O que não pode faltar na casa do belo-horizontino?
Queijo canastra e torresmo.

Qual é o seu lugar preferido na cidade?
Prefiro listar cinco: Praça do Papa, Lagoa da Pampulha, Bairro Santa Tereza, Praça da Liberdade e Praça da Estação (que ficou linda, apesar da falta de verde).

Cite um projeto arquitetônico que você gosta na cidade e outro que não?
Adoro o Cine Brasil e detesto o prédio que tem elevador para carros, uma enorme baranguice (o Parc Zodíaco, no Santa Lúcia, projetado por Gustavo Penna).

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O casarão da Getúlio Vargas

08 outubro 2013 | deixe seu comentário (0)

Casarão Getúlio Vargas

Ali já foi salão de festa, escola de arte e há algum tempo está para alugar. A faixa do anúncio do casarão branco, na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Maranhão, no Funcionários, não é de nenhuma imobiliária. Mas, do próprio dono. O médico e investidor belo-horizontino de 49 anos, contudo, pediu para que o nome dele não fosse divulgado aqui. “Duvido que tem alguém que goste de comprar imóveis em Belo Horizonte mais do que eu”, especula.

O preço chama a atenção: 30 000 reais. “É uma pechincha”, diz o proprietário. O imóvel, avaliado em 6,5 milhões de reais, tem 800 metros quadrados e capacidade para 600 pessoas. É tombado pelo patrimônio público e a vantagem é ser todo de vão livre. “É um investimento de longo prazo, em que ganharei com a valorização do imóvel e não só com o aluguel. Por isso, não tenho pressa para alugar e não vendo”, afirma.

O casarão de estilo barroco foi construído em 1936 por uma família italiana, que se inspirou nos palacetes do país de origem.

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Memória digital

03 agosto 2013 | deixe seu comentário (0)

 

O trabalho de cerca de 150 arquitetos em Belo Horizonte e a identificação de edificações por décadas podem ser consultados no www.arqbh.com.br. O guia on line foi criado em 2007 e é mantido por arquitetos que decidiram unir seus dons e paixões pela fotografia, arquitetura e história. Já são dezenas de fotos, dos primeiros traços de Aarão Reis até residências modernas. O projeto ajudará, sem dúvida, a preservar a memória urbana da cidade. Um dos responsáveis pelo site, Marcelo Palhares Santiago, defende ser importante as pessoas saberem que a arquitetura belo-horizontina vai além de Niemeyer – o que temos todos de concordar. Navegando pelo Arqbh você encontra trabalhos de Rafaello Berti, Luiz Signorelli, Luiz Olivieri, Eduardo Mendes Guimarães e por aí vai. Vale a visita.

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Patrimônio preservado?

17 junho 2013 | deixe seu comentário (0)

Belo Horizonte tem cerca de 700 bens tombados, o que não significa que novas construções são proibidas de serem erguidas em seus terrenos. Alguns projetos valorizam o patrimônio, outros nem tanto, como podemos ver nas fotos abaixo. Atualmente, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural (CDPC) do município aprova a construção de edificações em lote de bem tombado desde que guardado afastamento de cinco metros para garantir um respiro. O arquiteto Flávio Carsalade, que já foi presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artísitico de Minas Gerais (Iepha-MG) e é conselheiro do CDPC, fez a tese de seu doutorado sobre esse assunto. Na opinião dele existe mesmo a dificuldade de se conciliar desenvolvimento urbano, mercado imobiliário e conservação de patrimônio, o que resulta em “híbridos arquitetônicos de gosto discutível”. Gostei da expressão. O que vale mesmo é o bom senso de quem projeta e constrói e a real intenção de se preservar o nosso patrimônio.

Estrutura conservada: Casa tombada não é passagem, mas sim um ambiente isolado do condomínio. O novo harmoniza com o antigo. (Rua Maranhão, entre Aimorés e Timbiras, no Funcionários)

 

Somente a casca: Fachada de imóvel tombado virou hall de entrada de prédio de luxo. Chama atenção não pela beleza, mas pelo tanto que a antiga construção foi sufocada. (Rua Tomé de Souza, entre Levindo Lopes e Sergipe, em Lourdes)

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