Bares

Zezé: personalidade gastronômica

08/08/2012 15:26

Odin
José Batista Martins: no boteco consagrado

Até os 12 anos, José Batista Martins, o Zezé, morava em São Domingos do Prata, no interior de Minas, onde executava tarefas do cotidiano de uma fazenda e tinha uma vida pacata. O solavanco causado pela morte do pai incentivou a família — mãe e quatro filhos pequenos — a se mudar para a capital. Em Belo Horizonte, foram morar na então longínqua região do Barreiro. Passaram alguns anos até que ele conseguisse juntar dinheiro para abrir uma mercearia. Tempos depois, a frustração se apresentou mais uma vez. Zezé tinha em suas mãos 150 cadernetas com dívida dos clientes. Mal sabia ele que os pacotes de arroz, farinha e feijão que se acumulavam em seu estoque fariam mais sucesso nas panelas. Como em um conto fantástico, o pequeno imóvel da região periférica, após doze anos, se transformaria em um dos principais botecos da capital. De copo em copo, a freguesia foi aumentando, e o local chamou a atenção dos organizadores do festival Comida di Buteco. Na cozinha, petiscos tradicionais como joelho de porco e rabada começaram a fazer sucesso. Clientes sempre voltavam e pediam mais. Em nove participações no evento, o endereço é seu maior vencedor. Foi tricampeão e ficou por outras três vezes em segundo lugar. A capacidade do estabelecimento aumentou em dez vezes. Aos 62 anos, o grande vencedor, no entanto, continua um sujeito simples. Ao contar sua trajetória, ele demonstra gratidão a quem o ajudou. Não sem antes dar uma bicada no copo de cerveja. Todos os dias está no boteco. Sua presença é parte do ritual que ajuda a mantê-lo sempre lotado, mesmo às segundas-feiras.



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