Literatura

Cadeira vaga na Academia Mineira de Letras provoca disputa entre três escritores

Eleição irá escolher o novo titular do assento 26, que está vazio desde janeiro

por Carolina Daher | 17/08/2012 12:29

Odin
Os candidatos: Angelo Machado, Marco Aurélio Baggio e Lívia Paulini

Às 5 da tarde da próxima quinta (23), nascerá mais um imortal por aqui. É quando ocorrerá a eleição do novo titular para a cadeira de número 26 da Academia Mineira de Letras (AML), vaga desde janeiro, com a morte do escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Estão no páreo o médico e cientista Angelo Machado, de 88 anos, o psiquiatra Marco Aurélio Baggio, de 69, e a professora Lívia Paulini, de 94. Como os candidatos a prefeito e a vereador da cidade, os três estão em plena campanha, lutando pelos votos dos outros 39 acadêmicos. "É claro que existe politicagem", afirma Baggio, que está na disputa pela quinta vez. "Antes me diziam que eu era muito novo, agora que estou velho demais", brinca ele, que é autor de 36 obras. O psiquiatra assume: a possibilidade de ser eleito para o seleto grupo de escritores mineiros mexe com seu ego. "Seria uma distinção."

Húngara que veio para o país nos anos 50 fugindo da II Guerra, Lívia também é candidata experiente: já participou de outros quatro pleitos. Naturalizada brasileira, a artista plástica ingressou no mundo da literatura na década de 80 e tem 33 obras publicadas. "É sempre bom estar entre os melhores." Dos três, Machado é o único calouro e diz que só entrou para homenagear o falecido Queirós, que era seu amigo. Embora seja o menos experiente do grupo dos candidatos, o médico — que conquistou em 1993 o Jabuti, um dos mais respeitados prêmios literários do país, e é autor de 35 títulos — parece o mais confiante. "Tenho chance porque a academia ainda não conta com um dramaturgo e autor infantojuvenil entre seus membros", afirma.

Secretária executiva da academia há 27 anos, Marília Moura Guilherme já viu a posse de 38 imortais e garante que, como em qualquer eleição, o resultado é imprevisível. "A pessoa fala uma coisa e faz outra na hora de votar." Quem não mora na capital tem de mandar sua cédula por correio. A contagem será feita na sala principal do palacete Borges da Costa, a sede da AML, que fica na Rua da Bahia, no Centro, pelo presidente, Orlando Vaz. Depois do anúncio do vencedor, a comemoração será com o tradicional chá dos imortais. "E é chá mesmo", afirma Marília. "Uma vez, um imortal tentou trazer uma garrafa de uísque, mas alguns colegas acharam um absurdo."



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