Literatura

Sob medida para garotas, escritora mineira Paula Pimenta cai no gosto das adolescentes

Histórias repletas de paixões, brigas com os pais e conflitos na escola já venderam mais de 114 mil livros

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Paula, de 36 anos, na sua casa no Mangabeiras: "Sei como é a vida de ir ao cinema, ao clube, aos colégios..."

Se você é pai ou mãe de uma adolescente, não estranhe caso sua filha comece a falar sobre Fani ou Priscila como se fossem velhas amigas do colégio. As duas são protagonistas dos livros da escritora Paula Pimenta, tida como a nova revelação da literatura infantojuvenil brasileira. Sem os vampiros nem os bruxos que fazem tanto sucesso com o público teen, os títulos publicados pela autora belo-horizontina têm personagens comuns, que passam por problemas típicos da idade: as brigas com os pais, os conflitos na escola e as paixões. Desde 2008, quando o primeiro volume foi lançado, mais de 114 000 cópias já foram vendidas — o que, no mercado nacional de ficção, a coloca na lista dos best-sellers.

Fazendo Meu Filme, que marcou sua estreia nas letras, conta a história de Fani, uma menina de 16 anos que mora em Belo Horizonte e está prestes a fazer uma viagem de intercâmbio. É aí que ela descobre estar apaixonada pelo melhor amigo. A obra ganhou três continuações, que narram as experiências da protagonista até os 23 anos. O volume 4, que chegou às livrarias em maio com uma tiragem de 33 000 cópias, já vendeu 15 000 (veja o quadro na pág. ao lado). Segundo a escritora, há três produtoras interessadas em levar as peripécias de Fani para o cinema. "Estou analisando as propostas, não adianta um filme que estraga o livro", diz ela, que publicou também Minha Vida Fora de Série, estrelado por Priscila, uma adolescente paulista que se muda para a capital mineira e tenta fazer amigos onde todos parecem já ter uma turma.

"São histórias bem simples. Falo do que conheço: fui adolescente aqui, sei como é a vida de ir ao cinema, ao clube, aos colégios...", reconhece ela, que namora um policial federal de Varginha. Embora se inspire em suas lembranças, a mineira conseguiu conquistar leitoras de norte a sul do país, provando que os dramas da adolescência independem do endereço. Seus dois fã-clubes mais ativos — sim, ela já tem vários — ficam em Salvador e em Fortaleza.

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O sucesso ainda surpreende a belo-horizontina de 36 anos que é publicitária por formação, sempre gostou de escrever, mas nunca havia imaginado fazer disso sua atividade principal. Ela costumava postar crônicas na internet e estava sempre ensaiando o início de um romance quando, em 2005, apareceu a oportunidade de fazer um curso de escrita criativa em Londres. Ao longo do ano que passou na capital inglesa, escreveu o original de Fazendo Meu Filme. De volta ao Brasil, com o manuscrito debaixo do braço, resolveu tentar a sorte nas editoras da cidade. Já tinha recebido dois "nãos" quando a Autêntica demonstrou interesse pelo tema intercâmbio. Passaram-se, porém, mais dois anos até a empresa publicar, pelo selo Gutenberg, uma edição de apenas 1 000 exemplares da obra. "A Paula tem um talento incrível, mas a verdade é que não sabíamos o que fazer com o livro porque o nosso foco não era literatura infantojuvenil", conta Rejane Dias, diretora executiva do grupo.

Mesmo com pouca divulgação, esgotou-se rapidamente a primeira tiragem do título, que agora está na oitava edição. Com a série adotada como leitura obrigatória por escolas públicas e particulares, como os colégios Santo Agostinho e Magnum, Paula tornou-se, de longe, a autora que mais vende entre os contratados da Autêntica. Pôde largar o emprego que tinha no Rotary Club e dedicar-se apenas à literatura. O próximo livro, uma coletânea de crônicas, está em andamento.

Aonde quer que ela vá, cada sessão de autógrafos reúne uma legião de "pimentinhas", que é como se autointitulam as fãs das aventuras — e desventuras — de Fani. A baiana Victoria Barreto, de 14 anos, é uma que adota o apelido. Fundadora do fã-clube de Salvador, vive fazendo intercâmbio virtual com as "pimentinhas" de outras cidades. "Eu conto as minhas histórias e elas contam as delas." No lançamento de Fazendo Meu Filme 4, no Rio de Janeiro, a algazarra das adolescentes, que pareciam esperar por um astro da música pop, impressionou os funcionários da Livraria Cultura. "O gerente me disse que o local só havia ficado tão cheio quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi dar uma palestra", lembra a autora, sem esconder a satisfação.

Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE