Teatro

Com a peça 'Prazer', companhia Luna Lunera inaugura na sexta (11) o mais novo palco de BH, no CCBB

Drama foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro nas categorias autor e cenário

por Isabella Grossi | 09/10/2013 18:50

Gustavo Andrade/Odin e Paula Carvalho
Cláudio Dias, Zé Walter Albinati, Isabela Paes, Marcelo Souza e Silva e Odilon Esteves no teatro do CCBB, e uma das cenas da peça (detalhe): experimentação e direção compartilhada

A mais recente criação da companhia Luna Lunera, Prazer, comprova a maturidade do grupo belo-horizontino. Escolhido para inaugurar o teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, na sexta (11), o drama é inspirado em textos da escritora Clarice Lispector, retirados do livro Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. O espetáculo, que já passou por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, está indicado ao Prêmio Shell de Teatro 2013 nas categorias autor e cenário. No palco, quatro amigos tentam superar as inquietações e angústias do cotidiano apoiados na confiança de que ainda existe alegria no mundo. “Tratamos de questões que, à época, mexiam com cada um de nós”, diz a atriz Isabela Paes, que atua e codirige a montagem ao lado de Zé Walter Albinati. Em cena estão também Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva e Odilon Esteves. Nos bastidores, como colaboradores, aparecem o dramaturgo Jô Bilac, o videoartista Éder Santos, a atriz Roberta Carreri e o coreógrafo Mário Nascimento. Selecionada entre inúmeras companhias que se candidataram a subir no palco do novo teatro, a Luna Lunera já chama atenção no cenário nacional. “O grupo vem traçando um percurso consistente na pesquisa do trabalho de ator e na convicção do risco artístico a cada passo”, afirma o crítico do jornal Valor Econômico e pesquisador de teatro Valmir Santos, que assistiu a cinco dos seis espetáculos já encenados pela trupe.

A experimentação e a direção compartilhada tornaram-se marcas da Luna Lunera, fundada em 2001 por uma turma de amigos recém-saída do Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado. A primeira montagem, Perdoa-me por Me Traíres, teve uma repercussão tão positiva que acabou gerando recursos suficientes para a abertura da sede do grupo, no bairro Floresta. A segunda peça, Nesta Data Querida, surgiu do projeto Cena 3x4, realizado pelo Galpão Cine Horto em parceria com a Cia. Maldita. Mas foi só com o terceiro espetáculo, Aqueles Dois, que os atores da Luna Lunera conquistaram generosas críticas no concorrido circuito nacional. No drama, os quatro intérpretes fazem o papel dos dois personagens. E todos eles assinam a criação e a direção. “Não temos uma proposta idealizada”, diz Esteves, em referênica ao estilo do grupo, sempre aberto a interferências externas.

Após dois meses de ensaio de Prazer, a companhia abriu suas portas para ouvir a opinião do público. Motivados pelos pal­­pites da plateia, os atores-criadores mu­­daram toda a estrutura da dramaturgia apenas uma semana antes de estrear em São Paulo, em 2012. “Foi a coisa mais maluca que fizemos”, conta Silva. Criaram um novo prólogo, derrubaram uma cena in­­teira e dividiram outra em duas. “Não foi um ato de irresponsabilidade, foi um exercício de coragem”, explica Esteves. O resultado dessa ousadia estará agora su­­jeito à opinião dos belo-horizontinos. Para inaugurar o mais novo palco da ci­­dade, a direção do CCBB queria a prata da casa. Fazia questão de que fosse uma mon­­tagem mineira. Acertou ao apostar na Luna Lunera.



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