Noite

Boate Girus faz sucesso em Pará de Minas, na região central

Há 26 anos, balada do interior atrai também o público de BH

Por: Glória Tupinambás

Boate Girus
A casa, com capacidade para 2 700 pessoas: público de Beagá e de cidades vizinhas (Foto: Renato Weil)

Das boates L’Apogée, Olímpia, Tom Marrom e Hippodromo, que fervilhavam em Belo Horizonte no auge dos anos 80 e 90, só restam boas lembranças. Mas, no interior de Minas, uma contemporânea dessas famosas casas noturnas ainda faz sucesso — e muito. Há 26 anos, a Girus movimenta a cidade de Pará de Minas, na região central do estado, a 80 quilômetros da capital. Ingressos quase sempre esgotados, longas filas na entrada e bastante tititi nas redes sociais às vésperas do fim de semana fazem parte da rotina do espaço. Aberta apenas aos sábados, a balada atrai até 2 700 pessoas, que circulam pelos oito amplos ambientes da casa. Nas pistas, rola de tudo um pouco. A boate principal, chamada de Girus Disco, só toca música eletrônica e house. Bandas de rock, sertanejo, axé, samba e funk se dividem em dois palcos da Vila Brasil. Quem curte um sucesso das antigas faz a festa nos túneis subterrâneos, com hits da década de 80. E, no scotch bar, grupos de pop rock garantem a animação até as 6 horas aos rapazes, com seus inseparáveis baldes de vodca com energético, e às garotas, ainda em cima de um desafiador salto alto.

Sem ter feito grandes investimentos em publicidade, a Girus atrai sua fiel clientela principalmente no boca a boca. Aliás, não há uma placa sequer com o nome da casa na fachada, pintada de um tom discreto de cinza-chumbo. E engana-se quem pensa que por lá só circulam os moradores da cidade. “Cerca de 80% dos nossos frequentadores são da capital e de municípios vizinhos”, diz o proprietário, Osmar Diniz França. Boa parte do público é de Divinópolis — distante 74 quilômetros dali —, que, mesmo com uma população quase três vezes maior que a de Pará de Minas e seis boates bem estruturadas, não consegue competir com a Girus. “O que me faz pegar a estrada quase todos os sábados são vários shows simultâneos e gente bonita”, conta a bancária divinopolitana Jordânia Costa. Já a fisioterapeuta Juliana Oliveira trocou a balada em BH por um dos shows de sertanejo universitário que movimentaram a danceteria no último mês. “Os ambientes são muito diversificados. Quero voltar mais vezes”, afirma.

O segredo para o sucesso? O preço acessível é um deles. Quem quiser circular apenas pelas danceterias gasta, em média, 30 reais com o ingresso. Para ter acesso à área de shows, o valor é de, no máximo, 60 reais. E quem fizer questão de um ambiente mais selecionado pode escolher entre sete camarotes e áreas vips, que custam cerca de 100 reais por pessoa. Nos catorze bares, a conta é bem menos salgada que na capital. Um combo com uma garrafa de vodca e cinco latas de energético sai a partir de 90 reais — em boates como NaSala, Provocateur e Royal, esse mesmo kit (ainda que com marcas diferentes) custa por volta de 400 reais. A diversidade de shows é outro atrativo. Por lá, apresentam-se nomes como Frejat, Skank, DJ Marlboro, Diogo Nogueira, Maria Cecília e Rodolfo, Maria Gadú, Nando Reis e César Menotti e Fabiano. E, para tirar as teias de aranha que se acumulam nestas mais de duas décadas de história, a Girus fecha as portas para reforma pelo menos uma vez por ano e sempre reabre com novidades. “Criamos ambientes, mudamos a iluminação ou alternamos os palcos para agradar ao público, que é muito exigente”, afirma França, do alto de seus 42 anos de experiência como empresário da noite. Afinal de contas, a festa não pode parar.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE