Imprensa

Desde 2010, Super Notícia é o jornal diário que mais vende no país

Embora circule em apenas parte do estado, o pequeno notável superou a Folha de S. Paulo e O Globo

Por: Cedê Silva - Atualizado em

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(Foto: Redação VejaBH)

Tecnologia alemã: o impressor Jonatas da Rocha confere a edição que acaba de sair da moderna rotativa Geoman

Enquanto Belo Horizonte dorme, cerca de 120 pessoas varam a madrugada trabalhando em uma ruidosa gráfica na Cidade Industrial, em Contagem, na região metropolitana, para imprimir e empacotar o jornal mais vendido do Brasil. A rotativa alemã Geoman, uma espécie de BMW das impressoras, pode produzir até 140 000 exemplares por hora do Super Notícia. Desde 2010, circulando em apenas parte do estado, o tabloide mineiro ultrapassou as vendas anuais de diários com distribuição nacional como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo (veja o quadro na página ao lado), segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC). No dia 2 de julho, com a manchete da vitória do Atlético sobre o Grêmio por 1 a 0, o Super comemorou seu recorde histórico de 354 814 exemplares vendidos. "Somos responsáveis por 65% do mercado mineiro de jornais diários", festeja Laura Medioli, presidente da Sempre Editora, que publica o Super e outros cinco títulos, entre eles O Tempo.

Os próprios donos do negócio têm dificuldade para explicar o estrondoso sucesso do jornal, que conta, em média, com 32 páginas por edição e faturou 43 milhões de reais em 2011. Para Laura, a expertise em logística do grupo empresarial é uma das vantagens. A Sempre Editora é uma das companhias do Grupo Sada, dono de uma das maiores transportadoras de veículos da América Latina e controlado pelo empresário e ex-deputado federal Vittorio Medioli. Toda madrugada, vinte caminhões e vans do Sada levam o jornal — e outras encomendas do grupo — para as 300 cidades mineiras em que ele circula. Lançado em maio de 2002, o Super apostou na clássica fórmula das publicações populares: mulheres bonitas, crimes e esportes recheiam suas páginas. O sucesso, porém, não chegou imediatamente. Durante os dois primeiros anos, a tiragem não alcançava 10 000 exemplares por dia. Em 2004, o jornal passou por uma reforma gráfica inspirada no Diário Gaúcho — que é hoje o oitavo jornal mais vendido do país. A grande guinada, entretanto, só se deu em outubro de 2005, quando o preço do exemplar foi reduzido pela metade, para 25 centavos. Era uma tática para combater o recém-lançado Aqui, dos Diários Associados, que custava esse valor. O matutino investiu também em campanhas de fidelização dos leitores baseadas na troca de selos por brindes. Deu certo: em janeiro de 2006, chegou aos 70 000 exemplares vendidos por dia e iniciou a escalada vitoriosa que lhe rendeu, em 2009, uma reportagem no respeitado jornal inglês de economia Financial Times. A matéria dizia que o Super estava "na vanguarda da revolução dos tabloides do Brasil" e destacava o fato de ter conseguido incluir na base dos leitores motoristas de táxi e empregadas domésticas.

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(Foto: Redação VejaBH)

Fórmula clássica: capas com mulheres bonitas, crimes e esportes

No meio acadêmico, pesquisadores tentam entender o fenômeno. O jornal mineiro é o tema de estudo da bibliotecária Renata Arruda, que faz doutorado na Unicamp, em Campinas (SP). "Quando mandei o projeto de tese, pensei que não se interessariam, por ser um jornal de fora, mas a universidade quer conhecê-lo melhor", conta. Apesar de todas as pesquisas que fez até aqui, Renata não tem uma explicação definitiva para o sucesso do tabloide. Aliás, nem seus concorrentes.

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(Foto: Redação VejaBH)

* em número de exemplares

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE