Noite

De 53 casas noturnas vistoriadas em BH, 45 foram reprovadas pelos bombeiros

Fiscalização foi intensificada após a tragédia em Santa Maria, no Rio Grande do Sul

Por: Thiago Alves - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A boate Up e.music, no Funcionários: um dos dez endereços fechados

Agrande maioria das casas noturnas da cidade - 85% delas, para ser mais exato - não conseguiu passar na operação pente-fino que o Corpo de Bombeiros pôs em prática no início deste mês. Do dia 1º ao dia 7, 53 endereços foram vistoriados. Apenas oito estavam cumprindo rigorosamente a legislação para segurança e prevenção de incêndios. Quarenta e cin­­co apresentavam algum tipo de irregularidade: dez foram interditados, cinco multados e outros trinta notificados. Dez endereços em Betim e Con­­tagem também acabaram lacrados. A fiscalização foi uma resposta à população, que, após o incêndio na boate Kiss - a tragédia em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que provocou a morte de 239 pessoas -, cobrava informações sobre os estabelecimentos de Beagá. O resultado deixou apreensivos os frequentadores, que agora têm consciência do perigo que correm. E irritou os empresários do ramo, que acusam o Corpo de Bom­­beiros de estar mais preocupado com a publicidade da força-tarefa do que com a segurança.

"Foi uma ação exagerada, para inglês ver", acredita Túlio Borges, um dos donos da Dduck Dclub, na Savassi. A casa foi interditada por não ter uma saída de emer­­gência compatível com a capacidade de lotação de 450 pessoas. "Foi excesso de rigor, a porta que existe é suficiente, sim." No dia seguinte à visita dos bom­­beiros, os donos da Dduck começaram a reforma. Quando as obras forem concluídas, eles deverão pedir uma nova vistoria para constatar a adequação às normas. Até lá, o alvará de funcionamento estará suspenso. Borges lamenta a mancha na imagem da casa, um dos lugares badalados da Savassi. "Vamos ter de fazer um trabalho de esclarecimento junto ao público", diz. Os outros locais lacrados fo­­ram a choperia Al Capone, também na Savassi, o bar Alfândega, no São Pedro, o Nelson Bordello, no Centro, o Café Paddock, na Pampulha, o Espaço Floresta, na Floresta, o bar Oliver Art, no Santo Antônio, o clube Pinheiros, no Santa Efigênia, a boate Up e.music, no Funcionários, e a casa de festas Yupii!, no Belvedere. Para voltarem a funcionar, eles precisarão fazer os ajustes solicitados. "A interdição só foi feita nos casos em que havia risco iminente para os clientes", explica o capitão Thiago Miranda, responsável pela comunicação do Corpo de Bombeiros. "Algumas casas estavam com extintores vencidos e hidrantes sem funcionar." Além dos bombeiros, técnicos da prefeitura participaram da operação para checar a documentação.

Segundo Miranda, o alto número de locais com funcionamento irregular não chegou a surpreender. A licença do Corpo de Bombeiros, necessária para abertura de qualquer estabelecimento noturno, tem validade de três anos. A obrigação de pedir a renovação é do proprietário, mas raramente isso acontece. Os empresários do setor contam com a falta de fiscalização para continuar com as portas abertas, apesar do alvará vencido. Outra situação recorrente são as de reformas após a inauguração. Muitas vezes, as alterações no projeto original criam condições de insegurança que não existiam no momento da vistoria. "Se a população ajudar, denunciando irregularidades, a fiscalização será ainda mais eficiente", afirma o capitão.

A colaboração, pelo que se viu nas últimas semanas, está garantida. Entre os dias 27 de janeiro e 7 de fevereiro, foram registradas 192 denúncias, uma média de dezesseis por dia. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social, foi a primeira vez, desde a inauguração do Disque Denúncia, que as informações sobre tráfico de drogas ficaram em segundo lugar no ranking do serviço. Alguns vereadores também resolveram se mexer. Professor Wendel (PSB) apresentou um projeto de lei para proibir shows pirotécnicos dentro das boates da cidade e pediu tramitação em regime de urgência. Já Daniel Nepomuceno (PSB) propôs a audiência pública que será realizada na Câmara Municipal no próximo dia 27. Nesse caso, infelizmente, alguns empresários da noite podem estar certos. É mesmo o tipo de ação para inglês ver.

Operação pente-fino

Confira o balanço daação realizada em BH pelo Corpo de Bombeiros e pela prefeitura, entre os dias 1º e 7

53 estabelecimentos vistoriados

10 interditados

5 multados

30 notificados

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE