Saúde

Com 606 casos confirmados, dengue volta a assombrar Belo Horizonte

Número de pessoas com a doença cresceu quase dez vezes entre janeiro e fevereiro deste ano, se comparado ao mesmo período de 2012

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A designer Paula Albino, uma das vítimas: "É melhor se prevenir do que ficar no hospital". O alerta afixado na Avenida do Contorno, no Santo Antônio (detalhe): a capital já registrou 606 ocorrências

Adesigner Paula Albino acordou sentindo-se mal, com febre e dores no corpo todo. Achou que era apenas uma gripe mais forte e foi para o trabalho, mas bastaram trinta minutos diante do computador, no escritório, para ela perceber que não se tratava de um resfriado. No mesmo dia, foi parar no hospital. Estava com dengue. "Nunca pensei que um mosquito fosse me derrubar, mas foi o que aconteceu", diz ela, que começou a apresentar os sintomas da doença no último dia de janeiro. Histórias como a de Paula engrossam uma estatística alarmante. Entre 1º de janeiro e 20 de fevereiro, foram confirmados 606 casos da doença em Belo Horizonte, um número quase dez vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado (57). É mais do que a soma de todas as ocorrências de 2012 (585). O aumento não se deu só na capital. Em todo o estado, o número de vítimas já passou de 30 000, o triplo do verificado nos primeiros dias do ano passado.

A nova explosão da dengue em BH, depois do acelerado declínio dos indicadores nos dois últimos anos, tem pelo menos três explicações. Segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, a principal delas é o ressurgimento do chamado sorotipo 4 do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que não era encontrado na Região Sudeste do Brasil havia trinta anos. "Esse vírus estava restrito à Amazônia, e boa parte da população não desenvolveu imunidade a ele", explica Teixeira. As características climáticas deste verão são outra justificativa. O forte calor intercalado por chuvas fortes e rápidas acelera o ciclo de crescimento do mosquito transmissor. Uma larva recém-nascida demora cerca de 23 dias para virar pernilongo. Nas condições atuais, porém, esse tempo pode ser de apenas doze dias. A elevação da estatística local, de acordo com o secretário municipal, também é resultado do aumento de casos importados. "Das 464 notificações registradas aqui, cerca de 100 são de pessoas que se contaminaram em outras cidades", afirma ele.

Embora o atual Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) mostre que apenas 1,9 em cada 100 domicílios apresenta foco de proliferação do mosquito - número inferior ao índice de 3,1 residências de fevereiro de 2012 -, os dados sobre casos confirmados em BH fizeram acender uma luz vermelha na prefeitura. Foram contratados 238 agentes municipais de controle de endemias com a missão de visitar as residências e aplicar inseticidas quando necessário. Ao todo, 1 700 profissionais estão nas ruas da cidade vistoriando as casas. Faixas foram espalhadas pelos bairros com índices LIRAa mais altos que a média para alertar os moradores sobre o perigo e incentivá-los a informar, pelo telefone 155, a existência de possíveis criadouros na vizinhança. Nos postos de saúde, médicos e enfermeiras passaram por um treinamento específico para tratar a dengue. O trabalho ocorre em parceria com o governo estadual, que está distribuindo um teste rápido que diagnostica a moléstia em apenas vinte minutos. Conhecido como dengue clássica, o tipo mais comum da doença é similar à gripe. O mais grave, chamado de dengue hemorrágica, provoca alterações na coagulação sanguínea e pode levar à morte.

Para controlar a infestação do vírus na cidade, a colaboração da população será fundamental. "Cerca de 80% dos criadouros estão dentro de residências", ressalta Marcela Lencini, diretora da Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde. "Não dá para resolver o problema se as pessoas não tomam medidas preventivas em casa" (veja abaixo). Meio milímetro de água parada é suficiente para que os ovos eclodam e as larvas evoluam. Antes mesmo de ser acometida pela doença, a designer Paula procurava seguir as dicas de prevenção. "Mas não sei se meu vizinho tomava as mesmas medidas", diz. Depois de nove dias sofrendo com os sintomas, ela dobrou a atenção e aderiu à corrente da conscientização. "É muito melhor se prevenir do que ficar no hospital", resume.

Dez medidas para evitar a proliferação do mosquito

* Mantenha a tampa da caixa-d'água sempre fechada.

* Jogue fora os pratinhos sob os vasos de planta.

* Não deixe a água se acumular em lajes e varandas.

* Vede com saco plástico o ralo de banheiros sem uso.

* Trate com cloro a água da piscina.

* Remova folhas das calhas e tudo o que possa impedir a água de correr.

* Não acumule pneus e entulho em casa.

* Lave com sabão os locais que acumulam água.

* Receba os agentes de controle da prefeitura.

* Informe sobre possíveis criadouros na sua vizinhança.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE