comportamento

Ajuda para o cupido

Agências de namoro promovem encontros discretos para conquistar clientes belo-horizontinos

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Alessandro Camargos
(Foto: Redação VejaBH)

Eram 19h30 quando os dois homens entraram no prédio no coração da Savassi. Cada um deles foi levado a uma sala diferente, onde aguardaria pelas candidatas. Aos poucos foram chegando oito mulheres. Se não fosse a luz baixa, o ambiente faria lembrar a sala de espera de um consultório médico. Tudo bem diferente do método americano difundido pelos filmes de Hollywood. Na capital mineira, o speed dating ou in­sight - um encontro no qual se paga para conhecer gente bonita, interessante e disponível - não é realizado em lugares públicos, como restaurantes. As agências de namoro tiveram de se adaptar aos costumes da cidade. Por aqui, discrição é a alma do negócio.

Uma das candidatas, advogada, divorciada, com 37 anos, conta que o speed dating é a melhor forma para mulheres que não querem perder tempo. "Eu trabalho e tenho filho, não dá para ficar frequentando bar", diz. Na noite em que falou a VEJA BH, no mês passado, sob a condição do anonimato, ela conheceu dois candidatos. Com cada um deles teve quinze minutos de conversa, tempo considerado suficiente para descobrir afinidades. Na mesa, o homem dispõe de uma prancheta para escrever o nome da candidata e o que lhe chamou atenção. Antes de ir embora, ela também preenche um formulário, informando o que achou do pretendente e se estaria disposta a um novo encontro. No fim da noite, os organizadores analisam as respostas e veem se há casais compatíveis. Só então divulgam o telefone dos envolvidos.

Segundo Cláudya Toledo, proprietária da A2Encontros, os belo-horizontinos honram a fama de desconfiados. Levam cinco dias, em média, para responder se aceitam ou não sair com um candidato (ou candidata). Nas outras cinco cidades onde sua empresa atua, esse prazo é de três dias. Os clientes mineiros da A2Encontros têm entre 25 e 68 anos. Mais de 90% cursaram faculdade. Eles são mais lentos para analisar uma ficha, mas costumam acertar na escolha. O índice de sucesso do primeiro encontro é de 32%, bem superior aos 19% verificados nas outras praças.

Pesquisas feitas pelas agências revelam peculiaridades interessantes dos clientes de BH. "As mulheres daqui são as únicas que apontam como indispensável no homem o gosto pela arte", diz o diretor-geral da eHarmony no Brasil, Stanlei Bellan. "O homem belo-horizontino é o que começa mais retraído", conta Claudio Gandelman, presidente do ParPerfeito. "Mas, quando se solta, é ele quem comanda a festa." Para Gandelman, em matéria de relacionamento, o comportamento dos homens e das mulheres da cidade denota traços de uma sociedade que continua apegada às antigas tradições. Para contratar um serviço desse tipo, paga-se um valor entre 25 reais (o cadastro em sites de relacionamento) e 10 000 reais (o contrato personalizado válido por dezoito meses).

Os diretores das agências de namoro têm opinião unânime: mais do que em qualquer outro lugar, os clientes de Belo Horizonte querem se casar seguindo o protocolo completo. A fisioterapeuta Rose Paiva, de 30 anos, é um exemplo. Não esconde que encontrar um bom marido era seu desejo quando recorreu ao serviço da A2Encontros. Em maio, casou-se com o médico Breno Paiva, de 34 anos. "Não gostava de sair à noite e procurei uma agência que promovesse encontro presencial", revela. Seu conto de fadas, que teve direito a carruagem para levá-la ao altar, foi registrado em um livro escrito por ela. O final feliz clássico é o que também desejam os universitários Alan Ferreira, de 24 anos, e Joyce da Silveira, de 23, que se conheceram no site ParPerfeito. Depois de dois anos e quatro meses juntos, eles sonham com o casamento, que pretendem realizar na Igreja da Boa Viagem, no Centro. "Eu queria escolher, não queria ser escolhido, por isso paguei o serviço para encontrar alguém com o perfil que eu desejava", explica Ferreira. "Joyce e eu somos realmente um par perfeito." Quando o cupido faz corpo mole, contratar uma ajudinha pode ser excelente pedida, mesmo que à moda mineira.

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(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE