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Arquitetos apostam em uma nova espécie de mogno para o design de mobiliário

Madeira nobre agora é cultivada no interior de Minas e tem tom marrom avermelhado

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Carlos Hauck/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Marcela Menin (à esq.), com Marcela Tavares, e algumas de suas criações: peças por encomenda

Desde que as regras impostas pelo governo para a exploração do mogno ficaram mais rigorosas, em 2003, os móveis fabricados com esse material nobre sumiram dos projetos de decoração. Mais de uma década depois, eles voltam a aparecer no mercado, agora feitos com o mogno originário na África, que vem sendo cultivado há mais de cinco anos no interior de Minas Gerais. Inaugurado em janeiro, o MstudioD, da arquiteta Marcela Menin e da designer Marcela Tavares, pretende trabalhar exclusivamente com a nova versão. As primeiras criações da marca acabam de ser expostas na Feira Internacional de Móveis Contemporâneos (ICFF, na sigla em inglês), em Nova York, e ainda vão passar por várias mostras estrangeiras até o fim do ano. "Em tempos de laminados, surge o interesse pelo material orgânico", diz Marcela Menin. "Por ser raro, ele é mais desejado e caro." Os móveis em tom marrom avermelhado são fabricados sob encomenda e têm preço salgado. Uma mesa de jantar com tampo de 4 metros e pés de ferro, por exemplo, chega a custar 17 000 reais.

O grande incentivador do plantio de mogno africano por aqui é o pai de Marcela Tavares e sogro de Marcela Menin, o empresário Ricardo Tavares. Ex-dono do Café Três Corações, que foi vendido à israelense Strauss-Elite, e do Sucos Mais, comprado pela Coca-Cola, o empreendedor mineiro está hoje à frente do grupo Montesanto Tavares, que tem entre suas atividades a produção e exportação de café e faturou 708 milhões de reais em 2013. A ideia de cultivar mogno africano nasceu em 2008, quando ele descobriu uma técnica para plantar as árvores em meio à lavoura de café e ganhar dinheiro tanto com a comercialização da madeira quanto com a melhora da qualidade do grão - crescendo à sombra, ele fica mais adocicado e, por isso, valorizado. "O mogno africano é conhecido como ouro verde", conta Tavares.

Como a árvore só pode ser cortada a partir de doze anos após o plantio, ainda não se encontra a madeira para venda em Minas. O MstudioD, por enquanto, usa matéria-prima vinda do Pará para fabricar suas peças. Atual presidente da Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano (ABPMA), Tavares mantém 1 000 hectares de plantio da espécie - o que resultará em 300 000 metros cúbicos de madeira serrada - em seis de suas fazendas, nas cidades de Pirapora, Capelinha, Ponte Nova e São Roque de Minas. Responsável por cerca de 10% de toda a produção nacional, ele é hoje o maior cultivador do país. Matéria-prima não faltará para arquitetos e designers que, como a dupla de Marcelas, resolverem apostar na nova versão da madeira nobre.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE