Segurança

Belo Horizonte tem três crimes por hora desde o início de 2013

Foram 9742 ocorrências em BH, entre janeiro e abril deste ano, número 13% maior do que o registrado no mesmo período de 2012

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O engenheiro Oscar Machado tem um apito guardado em casa, outro no carro e um terceiro no bolso para sair a pé pelas ruas do bairro onde mora, o Santo Antônio, na Região Centro-Sul. Diante de qualquer suspeita, ele inicia o apitaço, um sinal combinado com os vizinhos para que alguém chame a polícia. Quando volta tarde para casa, avisa o motoqueiro-segurança que trabalha na área para que este o acompanhe até a entrada de seu prédio. "A sensação de insegurança é grande, por isso não poupo esforços para me proteger", diz ele, que é integrante da Rede Protegida de Vizinhos, uma parceria entre a Associação dos Moradores do Santo Antônio e a Polícia Militar de Minas Gerais. Parece exagero? Machado tem seus motivos para achar que não. "Já fui assaltado, mas o pior aconteceu com minha filha, que foi vítima de sequestro-relâmpago", conta. "Os ladrões apontaram o revólver para ela, entraram no carro e só a soltaram em Betim." As estatísticas confirmam o que a família do engenheiro constatou na prática: a escalada dos índices de criminalidade. Nos primeiros quatro meses deste ano, foram registrados na capital 9 742 crimes considerados violentos (homicídio, sequestro, roubo, estupro e extorsão, entre outros) - uma média alarmante de oitenta ocorrências por dia, três por hora ou uma a cada vinte minutos. O número representa uma alta de 13% em relação ao mesmo período de 2012. E a situação parece ficar mais grave a cada mês. Em abril, a taxa de crimes por grupo de 100 000 habitantes chegou a 107,2, a mais elevada desde janeiro do ano passado, quando a Secretaria Estadual de Defesa Social (Seds) passou a divulgar a série.

O jogador Leandro Donizete foi uma das vítimas incluídas na preocupante estatística do primeiro quadrimestre de 2013. Em menos de um mês, o volante do Atlético teve seu apartamento no bairro Castelo, na região da Pampulha, assaltado duas vezes. Em 26 de fevereiro, bandidos invadiram o imóvel e levaram joias e relógios avaliados em 50 000 reais. Em 21 de março, uma nova ocorrência: dessa vez, roubaram aparelhos eletrônicos. Vítimas da criminalidade podem ser encontradas em todos os cantos da cidade. "Nunca vi tantos assaltos, arrombamentos de veículo e sequestros no Coração Eucarístico", reclama Miguell Tuler, presidente do Diretório Central dos Estudantes da PUC Minas há quatro anos. De acordo com Tuler, a sensação de insegurança no entorno do câmpus da universidade, na Região Oeste, é imensa. "Estamos reivindicando uma ronda intensiva."

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(Foto: Redação VejaBH)

Secretário estadual de Defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz alega que o aumento dos crimes é consequência, principalmente, do combate ao tráfico de drogas. "Apreendemos grande quantidade de entorpecentes, e as organizações tiveram de roubar para amenizar suas perdas", afirma. E usa até a facilidade para comprar armas de fogo e a dificuldade para manter um bandido preso como justificativas para a piora dos indicadores. Ferraz garante, no entanto, que esse incremento da criminalidade é só uma "fase de transição". "As operações conjuntas das polícias Militar e Civil e do Ministério Público, além do aumento de homens e viaturas nas ruas no segundo semestre do ano, reverterão a tendência", diz ele. Uma promessa que os belo-horizontinos certamente vão cobrar.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE