Belo-horizontino Nota Dez

Belo-horizontino Nota Dez

Nome: Jorge Quintão | Profissão: fotógrafo | Atitude transformadora: criou o Imaginário Coletivo, projeto que ensina fotografia gratuitamente a crianças e adolescentes de favelas da cidade

Por: Thiago Alves - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

"Não há ninguém melhor para retratar o morro, ao qual eu não pertenço, do que os próprios moradores"

A fotógrafa inglesa Zana Briski forneceu câmeras a oito crianças, ensinou-lhes a técnica de registrar imagens e, pela perspectiva dos pequenos, montou o documentário Nascidos em Bordéis, que se passa no bairro Luz Vermelha, em Calcutá, na Índia. Vencedora do Oscar de documentário em longa-metragem de 2005, a fita inspirou o fotógrafo belo-horizontino Jorge Quintão, que, em 2009, aceitou o convite para montar uma oficina e ensinar voluntariamente dezessete crianças da Escola Municipal Ulysses Guimarães, no Morro do Papagaio, na Região Centro-Sul da capital. "Senti que era a oportunidade de utilizar a linguagem fotográfica como um instrumento de mudança social", explica.

No começo, as atividades eram lúdicas. Os termos técnicos foram introduzidos aos poucos, para não assustar a turma com uma nomenclatura complicada. Sem medo de errar, os jovens produziram imagens que foram parar em galerias. "Todo ano, pelo menos um de nossos alunos ganha um concurso de fotografia ou é selecionado em algum", conta, orgulhoso. Foi pela perspectiva dos olhinhos espertos de seus pupilos que Quintão se apaixonou pela arquitetura desordenada dos aglomerados. "Não há ninguém melhor para retratar esse espaço, ao qual eu não pertenço, do que os próprios moradores", afirma.

Após três anos de voluntariado no Morro Papagaio, ele, que é engenheiro mecânico de formação, decidiu expandir o experimento para outras comunidades carentes da cidade. Sem o apoio formal de nenhuma instituição, criou e mantém o projeto Imaginário Coletivo, que repete a fórmula bem-sucedida da primeira oficina. Pelo menos uma vez por semana, alunos do Aglomerado da Serra, do Morro do Papagaio e do bairro Venda Nova se reúnem por cerca de três horas. Depois de apreenderem a teoria, partem para aquilo de que mais gostam: fotografar. "Além de descobrir talentos, o projeto valoriza o lugar onde os pequenos vivem, e eles entendem isso." Muito mais que mostrar como se usa uma câmera, a iniciativa tem contribuído para mudar a relação dessas crianças e desses adolescentes com a realidade que os cerca.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE