Belo-horizontino Nota Dez

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Nome: Daniel Favarini | Profissão: assessor parlamentar | Atitude transformadora: criou a Associação Dona de Leite, que distribui cerca de 300 quilos de leite em pó por mês a crianças carentes das regiões Nordeste e Norte

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

"Para fazer o bem, não dá para ter vergonha"

Quando completou 26 anos, há pouco mais de um mês, Daniel Favarini tinha na ponta da língua o que queria de presente de aniversário: latas e mais latas de leite em pó. Não, Favarini não é guloso ou louco pelo produto desidratado. É que desde 2009 ele comanda a Associação Dona de Leite, que recolhe doações do alimento em pó e distribui a famílias pobres dos bairros Ribeiro de Abreu, na Região Nordeste, e Novo Lajedo e Novo Aarão Reis, na Região Norte. A vontade de ajudar ele descobriu cedo, ainda na infância, quando era jogador de futebol nas categorias de base do Atlético e disputava jogos beneficentes em comunidades carentes. Ao visitar esses lugares, onde meninos como ele jogavam em campos de terra, Favarini aprendeu a valorizar a qualidade de vida que tinha e concluiu que auxiliar os mais necessitados era um dever. Mas foi só na faculdade de direito, fazendo estágio no Juizado da Infância e Juventude, que encontrou um foco para seu trabalho como voluntário. "Sou apaixonado por crianças", afirma.

Depois de conversar com nutricionistas sobre a importância do leite no desenvolvimento durante a primeira infância, Favarini resolveu criar a Dona de Leite. Atualmente, cerca de 150 crianças cadastradas conseguem, ao todo, 300 quilos do alimento por mês. Os beneficiados têm entre 6 meses e 7 anos. "O que eles recebem é suficiente para duas doses diárias ao longo do mês, o que faz toda a diferença", explica ele, que hoje é assessor parlamentar. São comuns os casos de crianças que entraram no projeto subnutridas e recuperaram a saúde. "É emocionante ver a meninada crescer." Afora a doação de leite, a associação conta com nutricionistas e assistentes sociais para ajudar as famílias. "Estamos conseguindo ir além das refeições", comemora Favarini. Ele e os outros voluntários são recebidos com festa quando chegam cheios de sacolas com latas e sacos do produto. O desafio agora é manter o nível de arrecadação. "O ideal seria ter padrinhos que se comprometessem com o projeto todo mês", diz ele, que não hesita em pegar o telefone para pedir latas a amigos e conhecidos. "Para fazer o bem, não dá para ter vergonha."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE