Nota Dez

Belo-horizontino Nota Dez

Nome: Henrique Traspadini Reis | Profissão: consultor de turismo | Atitude transformadora: vítima de insuficiência renal, faz palestras gratuitas em instituições de ensino e empresas sobre como superar obstáculos

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Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

"Tento mostrar que é preciso dar valor ao que se tem e viver feliz"

Diagnosticado com insuficiência renal crônica aos 18 anos, Henrique Traspadini Reis, hoje com 44, visita o Hospital Felício Rocho, no Barro Preto, três vezes por semana. Sentado em uma poltrona, ele observa por quatro longas horas o sangue ser drenado de seu corpo, passar por um processo de purificação em uma máquina de hemodiálise e voltar para suas veias. A cada sessão, Reis perde de 4 a 5 quilos de impurezas que estavam em sua corrente sanguínea. "É um processo exaustivo, uma dor com a qual aprendi a conviver", diz. Revolta? Nenhuma. Em vez de ficar lamentando a própria sorte, o mineiro de Mateus Leme, que há 26 anos reside na capital, resolveu ser um exemplo de superação para outras pessoas. "Tento mostrar que é preciso dar valor ao que se tem e viver feliz apesar das limitações", afirma. Em meio às sessões no Felício Rocho e à rotina de trabalho como consultor de turismo, ele encontra tempo e disposição para fazer palestras motivacionais gratuitas em instituições de ensino e empresas da cidade. Nos últimos sete anos, cerca de 4 000 pessoas o escutaram.

É difícil não se emocionar com suas palavras. Reis já passou por dois transplantes renais. O primeiro órgão ele recebeu do irmão, Frederico, em fevereiro de 1992. Dois meses depois, porém, sofreu um infarto do miocárdio e acabou perdendo o rim. Um ano mais tarde, conseguiu uma segunda doação, de uma vítima de atropelamento. "Passei a ter uma vida maravilhosa e a aproveitar ao máximo cada momento", lembra. Foi assim por onze anos, até que o órgão parou de funcionar e ele voltou às sessões de hemodiálise. Após as cirurgias, ainda enfrentou outros problemas críticos de saúde, como anemia profunda, derrame e trombose. A trajetória de luta contra a doença, que costuma ilustrar suas palestras, agora também está registrada no livro Alegria e Fé — Convivendo com a Doença e a Felicidade (Código Editora, 112 páginas, 20 reais), que Reis, católico praticante, lançou há três meses. "No fim, não são os anos em sua vida que contam. É a vida em seus anos", costuma repetir com frequência, citando a frase do presidente americano Abraham Lincoln (1809-1865) como uma espécie de mantra.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE