Belo-horizontino Nota Dez

Belo-horizontino Nota Dez

Nome: Matheus Ferreira | Profissão: auxiliar administrativo em uma construtora | Atitude transformadora: é fundador do Solidaforró, um projeto para dar aulas de dança a pessoas carentes em troca de alimentos não perecíveis

Por: Carolina Daher - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

"Eu só sabia dançar. Descobri que era isso que eu poderia oferecer à minha comunidade"

Matheus Ferreira começou a dançar forró quando tinha apenas 11 anos. Levava tanto jeito para isso que, aos 15, já reunia seus vizinhos para ensinar os passos que aprendia em uma academia. Enquanto o grupo bailava em uma sala da creche comunitária do bairro Serra Verde, em Venda Nova, lá fora, na rua, o tráfico corria solto. "Perdi alguns amigos para as drogas", lembra. "Eu queria ajudar, mas só sabia dançar." Em 2001, Ferreira percebeu que era dançando que ele poderia contribuir e lançou o Solidaforró, para dar aulas em troca de alimentos. No início, as aulas reuniam somente os moradores da região. Logo, porém, a fama do professor de forró ultrapassou os limites da Serra Verde e conquistou dançarinos de outros locais. Hoje ele tem 170 alunos, de 6 a 70 anos. "Não há distinção, qualquer um pode participar", explica Ferreira, que está com 26 anos. A mensalidade é opcional. Mesmo quem não tem como contribuir com a doação de alimentos pode se inscrever para as aulas realizadas às terças e quintas, no Centro Comunitário (Rua João Batista Fernandes, 85), e aos sábados, na Escola Estadual Getúlio Vargas (Rua Guido Leão, 22), ambos na Serra Verde. O interessado deve fazer uma aula experimental. Se gostar, só precisará preencher a ficha. A única taxa cobrada é de 1 real, para a plastificação da carteirinha.

De tempos em tempos, o rapaz organiza uma festa e convida outras academias para participar de uma noite bem animada. O ingresso custa 1 quilo de alimento não perecível. "Conseguimos recolher de 350 a 600 quilos por mês", conta Ferreira, que doa o que recolhe a diferentes entidades. Neste mês, será beneficiado o Centro dos Hemofílicos do Estado de Minas Gerais (Cheminas). "Só quem tem a oportunidade de ajudar o próximo sabe quanto isso é gratificante", afirma ele, que trancou a faculdade de educação física e hoje trabalha como auxiliar administrativo em uma construtora. "Nunca vivi das aulas de dança", diz. Além de ensinar os passos do forró, o que ele faz é dar belas lições de solidariedade.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE