Belo-horizontino Nota Dez

Belo-horizontino Nota Dez

Nome: Jeferson Rios | Profissão: bioquímico aposentado e empresário | Atitude transformadora: presidente voluntário da Associação dos Moradores do Bairro de Lourdes (Amalou), ele zela pela limpeza, pela segurança e pelo sossego na região

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

"Moradores de Copacabana e do Leblon, no Rio, já me ligaram para copiar o sistema"

Nada de sujeira, barulho, insegurança ou briga entre vizinhos. Pelo menos, não enquanto o fiscal for Jeferson Rios, de 67 anos. O bioquímico aposentado tem uma agenda cheia - é fazendeiro, construtor, caçador de relíquias e colecionador —, mas sempre encontra tempo para dedicar-se à Associação dos Moradores do Bairro de Lourdes (Amalou). "Sou presidente voluntário há dezesseis anos", conta com orgulho. A qualquer hora do dia ou da noite, é só chamar que ele desce de seu apartamento, na Praça Marília de Dirceu, para resolver o problema. E polêmicas não faltam por lá.

Como representante de 960 famílias do tradicional bairro residencial que virou reduto gastronômico, ele foi o responsável por apaziguar a briga entre a vizinhança e os donos dos bares e restaurantes. Conseguiu que mais de trinta estabelecimentos assinassem um acordo sobre horários de funcionamento. "Os seguranças das casas devem ser os últimos a ir embora, pois, se virem alguma Ferrari fazendo graça, precisarão passar a placa para a polícia", exemplifica Rios. Agora, o trânsito é que tem tirado seu sono. "Já conseguimos implantar a mão única em algumas ruas e instalar semáforos, mas ainda há muito que melhorar", afirma. Segurança é outra preocupação. Ele tem o cadastro de todos os lavadores e guardadores de carro que trabalham no bairro. "Eles foram treinados e recebem uma cesta básica por mês. Em troca nos informam o que acontece de estranho." Porteiros de prédio ganharam rádio para comunicação com outros vigilantes e com a Polícia Militar. "Associações de moradores de Copacabana e do Leblon, no Rio de Janeiro, já me ligaram querendo copiar o sistema", revela.

Também foi ideia dele espalhar lixeiras pelas calçadas, para que os donos de cachorro não deixem a sujeira do bicho para trás. "Catamos cerca de 250 quilos por mês", calcula. A principal praça de Lourdes, a Marília de Dirceu, é a queridinha. Tanto que a Amalou contratou um jardineiro para mantê-la limpa e florida. O relógio central, uma das peças da coleção do presidente, é instalado junto ao painel de informações todas as manhãs e retirado no fim da tarde. Afinal, o tempo é precioso para Rios.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE