Belo-horizontina Nota Dez

Belo-horizontina Nota Dez

Nome: Lúcia Vieira | Profissão: professora de dança | Atitude transformadora: aulas de balé para moradores de áreas carentes

Por: Sabrina Abreu - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

"O balé tem o poder de aumentar a autoestima e a disciplina das pessoas. Eu queria oferecer isso a jovens carentes"

Quando foi convidada, há dez anos, para dar aulas de dança como voluntária a crianças e adolescentes da maior favela da capital, o Aglomerado da Serra, Lúcia Vieira não precisou de tempo para pensar. Aceitou de imediato. "O balé tem o poder de aumentar a autoestima e a disciplina das pessoas. Eu queria oferecer isso àqueles jovens carentes", afirma. A princípio, ela ia até a Creche Irmão Otto, em Santa Efigênia, onde abriu três turmas para diferentes faixas etárias. "Mas o piso era áspero e inadequado para os movimentos, e eu queria mais", lembra. Em 2005, Lúcia resolveu transferir as classes para a Compasso Academia de Dança, escola da qual é sócia e que, na época, funcionava no Mangabeiras. As aulas realizadas aos sábados chegaram a reunir setenta alunos. Com barras, espelhos e toda a estrutura apropriada, o rendimento dos aprendizes superou suas expectativas. "Daquelas aulas saíram profissionais que chegaram a grandes companhias do mundo", diz, cheia de orgulho.

Hoje, a bailarina e coreógrafa conta com a colaboração de nove professoras em seu projeto social. Sempre que uma menina ou um menino se destacam, Lúcia é chamada para assistir a seu desempenho. "Se reconheço ali um diamante bruto, iniciamos a lapidação", explica. Além da bolsa integral na escola, onde as mensalidades podem ultrapassar 300 reais, esses alunos promissores ganham lanche e ajuda financeira, tanto para o transporte como para as roupas das apresentações. Atualmente, são 35 os beneficiados na Compasso, que agora tem sede no São Pedro. "Faço questão de que o bolsista tenha as mesmas oportunidades que um pagante. Se há uma competição fora de BH, ninguém fica para trás", garante. Lúcia se empenha para arcar com as despesas das viagens a cidades como São Paulo, Brasília, Florianópolis, Berlim e Nova York, nas quais seus alunos já se apresentaram. Promove espetáculos beneficentes, vende rifas e pede doações. "É sempre muita luta", afirma. Seu maior estímulo é se lembrar dos ex-bolsistas que hoje se exibem em palcos da Alemanha, da Suíça e dos Estados Unidos. "Eles são um exemplo para os que ainda estão começando."

Sabrina Abreu

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE