Copa

Belo-horizontinos abrem suas residências para acomodar estrangeiros

Com a iniciativa, os moradores garantem uma boa grana extra

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Viviane e Paulo Henrique Pontello, com os filhos, Bruno e Raphael: diária de 575 reais por um quarto na residência deles, na Pampulha

Começou a contagem regressiva para a Copa do Mundo. Enquanto boa parte dos belo-horizontinos se prepara para testemunhar a festa futebolística por aqui, há quem esteja arrumando as malas para alugar a própria casa a turistas que estão vindo curtir o Mundial. Com a ajuda dos sites de hospedagem alternativa, muitos moradores pretendem faturar um bom dinheiro com a locação de sua residência. "Se compararmos com o ano passado, a procura por imóveis em BH registrou um crescimento de mais de 300%", afirma Christian Gessner, diretor-geral da AirBnb, a principal plataforma digital de aluguel por temporada. De janeiro para cá, o número de ofertas na capital mineira passou de 300 para 1 300. Segundo Gessner, já são mais de 3 000 hóspedes confirmados, que pagarão, em média, 196 reais por diária. ''Não vou assistir aos jogos porque estarei fora, no interior do estado", conta a estudante de direito Beatriz Fernandes, de 39 anos, que alugou seu apartamento no Jardim Paquetá, na região da Pampulha, a um americano e a um casal de alemães, simultaneamente. A locação renderá 8 000 reais.

Durante os trinta dias da competição, a capital espera receber 390 000 turistas - 160 000 deles estrangeiros. Apesar da inauguração de 23 hotéis nos últimos meses, o que representou uma oferta adicional de 5 879 apartamentos na cidade, a hospedagem em residências é fundamental para acomodar tanta gente. Foi apostando no déficit da rede hoteleira que o consultor João de Castro, de 40 anos, resolveu alugar seu dúplex no bairro Funcionários, com 500 metros quadrados. Duas famílias venezuelanas pagarão 16 000 reais por quatro dias, período em que Castro ficará acomodado na casa de um amigo. "Meus hóspedes terão todas as mordomias", afirma. "Se precisarem de qualquer serviço, estarei à disposição." Para Leonardo Neves, cofundador da Homestay Brazil - startup mineira lançada no ano passado para intermediar acordos entre locadores e locatários -, a vantagem desse tipo de estada é a possibilidade de o turista levar uma vida próxima da dos belo-­horizontinos. "É necessário tratar o visitante como se fosse da família", diz. "Na maioria das vezes, esse tipo de viajante procura uma experiência diferenciada, mais pessoal." Seu site tem 800 proprietários cadastrados e já registrou 370 solicitações de reserva para a Copa do Mundo.

Em vez de sair de casa e entregar suas chaves, a gestora de negócios internacionais Viviane Santos Lacerda Pontello, de 41 anos, preferiu disponibilizar apenas dois dos quartos de sua residência, no bairro São Luís, a um pulo do Mineirão. "Já morei fora e usei esse tipo de hospedagem", conta. "Eu e meu marido gostamos de conhecer gente nova. Vamos unir o útil ao agradável." Ela cobrará 575 reais pela diária do quarto para duas pessoas, com direito a café da manhã. Já fechou negócio com dois amigos, um australiano e um neozelandês, e um colombiano com o filho. "O garoto tem mais ou menos a mesma idade dos meus. Vai ser difícil fazê-los sair de casa", brinca, prevendo a algazarra da criançada na piscina e no campinho de futebol. Se depender da fama hospitaleira dos belo-horizontinos, os jogos serão apenas pretexto para a farra.

Intercâmbio cultural

Confira os números do site AirBnb sobre a hospedagem alternativa na capital

300% foi o aumento da procura por imóveis em BH no último ano

1 300 é o número de anúncios de proprietários belo-horizontinos

3 000 turistas já confirmaram reserva em casas da cidade

196 reais é o preço médio das diárias cobradas

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE