Ambiente

BH perdeu 30% de sua cobertura vegetal nos últimos 25 anos

Cidade tem 18 metros quadrados de área verde protegida por habitante, mas a vegetação é mal distribuída

Por: Cedê Silva - Atualizado em

W.Robert Moore/National Geographic Stock - Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Dois flagrantes da Avenida Afonso Pena: com o passar dos anos, as grandes copas das árvores sumiram

Belo Horizonte, que já foi conhecida como a Cidade Jardim por causa da farta arborização planejada por seus fundadores, anda cada vez menos verde. Entre 1986 e 2010, a capital perdeu quase um terço de sua cobertura vegetal. Nos anos 80, as imagens de satélite analisadas em uma pesquisa do Instituto de Geociências da Universidade de Minas Gerais (UFMG) mostravam 117 quilômetros quadrados tomados por árvores e plantas. Em 2010, eram apenas 82 quilômetros quadrados. Só metade dessa área é protegida - tem uso assegurado como parque, praça ou reserva ecológica. Há uma média de 18,22 metros quadrados de área verde por habitante. Não é mau. O número supera com folga os 12 metros quadrados definidos como limite mínimo de preservação no plano diretor da cidade aprovado em 1996. A distribuição, no entanto, é o problema: deixa muito a desejar (veja o quadro abaixo). Enquanto no Barreiro, a região mais verde por aqui, tem-se 58,22 metros quadrados por habitante, na Região Noroeste essa relação é de apenas 2,05 metros quadrados.

A manutenção da cobertura vegetal da cidade é um dos assuntos que preocupam os ambientalistas que estarão reunidos, na quinta (29) e na sexta (30), no Fórum Sustentar, no Minascentro. "Cometemos erros no passado, é fato. Agora, precisamos discutir o que será feito daqui para a frente", diz o ecólogo americano Douglas Trent, que vive em BH há oito anos e é um dos organizadores do debate. Secretário municipal do Meio Ambiente e vice-prefeito, Délio Malheiros (PV) classifica como "natural" a perda de área verde nas últimas décadas. "Há que levar em conta que, vinte ou trinta anos atrás, bairros como o Buritis ou o Castelo não existiam", afirma. "É um fenômeno que acontece em qualquer cidade do mundo." Segundo ele, a prefeitura vem tomando medidas para aumentar as áreas verdes. Uma delas é exigir a criação de parques dentro dos novos loteamentos. Outra é estimular, com isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a preservação de grandes áreas verdes particulares. Proprietários de pelo menos vinte terrenos já foram identificados. Se pensarem como a escritora Priscila Freire, de 79 anos, eles poderão aderir ao programa municipal.

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(Foto: Redação VejaBH)

Moradora da região da Pampulha há vinte anos, ela testemunhou a ocupação desordenada ao redor de sua casa, uma chácara de 53 000 metros quadrados no bairro São Bernardo. Repleta de abacateiros, acácias, ipês e mulungus, a área é reconhecida desde 1994 como reserva particular ecológica. Há dois meses, Priscila procurou a prefeitura com um pedido incomum: transformar sua propriedade em uma reserva permanente. "A população de Belo Horizonte cresce sem parar. Fico preocupada", explica ela. O que fazer? A escritora resolveu deixar um parque para as futuras gerações. Uma bela contribuição pa­­ra que possamos fazer jus ao apelido de Cidade Jardim.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE