Ciência

Biólogo mineiro André Nemésio batiza abelhas com nomes inusitados

Professor já homenageou em suas descobertas o Atlético, Ronaldinho Gaúcho e o seriado The Big Bang Theory

Por: Thiago Alves - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Nemésio, o bem-humorado professor da Universidade Federal de Uberlândia: 24 novas denominações nos últimos cinco anos

Munido de seu puçá, uma rede em formato de cone, o biólogo belo-horizontino André Nemésio desbrava as matas brasileiras à procura de abelhas da tribo Euglossinas. Mais conhecidas como abelhas-das-orquídeas, elas não produzem mel nem formam colmeias. São solitárias. Professor da Universidade Federal de Uberlândia, Nemésio identificou, nos últimos cinco anos, 24 espécies do raro inseto, o que corresponde a 12% do total existente no mundo. Na taxonomia, a ciência que classifica os seres vivos, é usual que as denominações prestem tributo ao cientista que fez a descoberta ou ao lugar onde ela ocorreu. O biólogo, porém, resolveu fugir do comum, escolheu nomes inusitados para seus achados e acabou chamando a atenção da imprensa internacional. Sua última descoberta, em dezembro do ano passado, foi batizada de Euglossa bazinga, em referência ao personagem Sheldon Cooper, da série de televisão The Big Bang Theory, exibida no Brasil pelo SBT e pelo canal pago Warner. No programa, que conta as histórias de quatro cientistas brilhantes mas com poucas habilidades sociais, Cooper sempre utiliza a expressão "bazinga" depois de uma piada ou de um comentário sarcástico.

Ele garante que, assim como o personagem interpretado pelo ator americano Jim Parsons, a tal abelha é engraçada, esperta e nerd. "Ela enganou os cientistas por algum tempo por ser semelhante a outras espécies", conta o fã da sitcom. A escolha agradou aos responsáveis pelo seriado. Em entrevista à agência de notícias Reuters, que tem sede em Londres, o produtor executivo Steven Molaro disse que é uma honra para Sheldon saber que a Euglossa bazinga foi inspirada nele. Bem-humorado, Molaro declarou que, depois de Mothra, uma mariposa gigante de um filme de ficção homônimo de 1961, e Grifos, um ser mitológico com asas e cabeça de águia e corpo de leão, a abelha brasileira tornou-se a terceira criatura voadora preferida do doutor Cooper.

Não foi a primeira vez que André Nemésio, uma figura barbuda de 41 anos, ganhou repercussão internacional por causa dos seus nomes curiosos. Em julho de 2012, emissoras como a americana Discovery Channel destacaram a descoberta da Eulaema quadragintanovem, a forma por extenso, em latim, de 49, o número da camisa do meia-atacante Ronaldinho Gaúcho nos jogos pelo Atlético. Torcedor fanático do Galo, o professor resolveu prestigiar o craque assim que sua contratação foi anunciada pelo presidente do clube, Alexandre Kalil. Batizou o inseto antes mesmo que a estrela entrasse em campo. "Foi uma aposta tão ousada quanto a do Kalil ao contratá-lo", exagera. Em 2009, ele já havia homenageado seu clube do coração ao denominar uma abelha nativa da Mata Atlântica de Eulaema atleticana. A espécie é preta e seu abdômen é listrado de amarelo, ou seja, ela tem as cores da camisa comemorativa do centenário do clube, lançada um ano antes. "Se eu fosse astronauta, levaria a bandeira do Galo para o espaço. Como sou biólogo, batizei uma espécie." Com todas essas brincadeiras, Nemésio espera que a repercussão em torno dos nomes contribua para trazer à tona uma discussão bem séria, sobre a manutenção dos biomas que as Euglossinas habitam. "Se a abelha não for preservada, as plantas e os animais que dependem dela vão desaparecer", acredita. O homem-abelha, como é conhecido entre seus alunos, diz que sua maior missão é conscientizar a população da importância das pequenas criaturas voadoras na conservação da natureza.

Arte Veja BH
(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE