Comportamento

Bom pra cachorro

Em alguns escritórios moderninhos, bichos de estimação são bem-vindos

Por: Carolina Daher - Atualizado em

Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Pet friendly: na Plan B, o administrador Clecio Wani com seu Johnnie

Zé não falta a uma reunião no escritório. E suas entradas são triunfais. Com uma cabeçada, ele abre a porta e sinaliza que está pronto para o batente. Detalhe: o Zé em questão é um dálmata de 13 anos que bate ponto na Hardy Design há pelo menos quatro. "Quando ele chega, todos abrem um sorriso na hora", conta uma das sócias da agência de comunicação visual, Mariana Hardy. "Se ele não aparece, os clientes sentem falta." Zé se tornou, literalmente, a cara da empresa. O seu rostinho estampa todo o material gráfico e de divulgação. "Ele recebe o salário em ração, petiscos e alguns presentinhos de viagens", diz Mariana. "Mas odeia fazer hora extra. Perto das 8 da noite começa a rosnar para mim, avisando que quer ir para casa."

Quando morou em Nova York para fazer uma especialização, a arquiteta belo-horizontina viveu pela primeira vez a experiência de atuar em uma empresa pet friendly, ou seja, onde animais são bem-vindos. Nos Estados Unidos e no Canadá, esse tipo de acolhida é comum. Uma pesquisa realizada pela agência americana de empregos Simply Hired mostrou que um terço dos donos de cães aceitaria trocar 5% do salário pela possibilidade de levar seus "filhotes" para o trabalho.

Diretor executivo da agência de comunicação Plan B, Clecio Wanis se encaixa no perfil identificado nesse levantamento. Ele é dono de Johnnie, um border collie de 7 meses que está sempre com ele no escritório. Única mineira a receber por dois anos consecutivos (2010 e 2011) o prêmio Great Place to Work como melhor agência para trabalhar, a Plan B procura fazer com que seus cinquenta funcionários se sintam em casa. "Trabalhamos com criatividade e precisamos que o colaborador esteja de corpo e alma na agência", explica o diretor de criação Daniel Negreiros. "Não adianta ele vir para cá preocupado porque seu cachorro vai passar o dia inteiro sozinho." Negreiros é dono do samoiedo Luke, de 3 meses, e costuma levá-lo, pelo menos uma vez por semana, à sede da Plan B, que fica numa casa com quintal no Gutierrez.

Toddy, um lhasa apso de 10 anos, é outro cão autorizado a acompanhar seu dono, o publicitário Gustavo Brojea, durante o expediente. No escritório do site de compras coletivas City Best, seu lugar preferido é debaixo da mesa de Gustavo. "A não ser quando tem alguém lanchando. Nesse caso, ele se senta ao lado esperando o seu pedaço de pão de queijo", conta. O conceito pet friendly é adotado com mais facilidade pelas empresas do setor de comunicação. A faixa etária dos funcionários, que têm em média 25 anos, ajuda a explicar a razão. Nesse tipo de negócio, as roupas são mais informais e os horários, flexíveis. "Em um lugar descontraído e criativo, o animal pode intensificar essa energia", acredita o psicólogo Leonardo Curi.

Há um ano e meio, quando trocaram a sala comercial na Savassi, onde funcionava a Vorko Design, por uma casa de 200 metros quadrados na Floresta, os sócios Daniel Gonçalves, Lucas Carvalho e Matheus Dias adotaram os vira-latas Noia e Pivete. Os dois adoram uma bagunça e algumas vezes estranham as visitas. "Sempre que alguém demonstra medo, prendemos os cachorros", diz Gonçalves. Afinal, bicho pode ser bem divertido. Mas não se afugentar clientes.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE