Crise hídrica

Calculadora ajuda a medir o consumo diário de água de cada pessoa

Projeto criado pela Newton Paiva mostra quanto se gasta com os hábitos cotidianos

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Di Studio/Shutterstock
(Foto: Redação VejaBH)

Um chuveiro aberto por vinte minutos equivale a um consumo de 60 litros: o principal vilãodo desperdício

A crise hídrica está na boca do povo e a palavra de ordem é economizar. Mas, na prática, pairam muitas dúvidas. Qual é realmente o vilão do desperdício em casa? E que hábitos é preciso mudar para reduzir o gasto? A resposta pode ser encontrada em uma velha aliada das contas domésticas: a calculadora. Um site recém-criado pelo Centro Universitário Newton Paiva traz uma ferramenta bem útil, um aplicativo que simula a média diária de consumo e identifica exatamente onde estão os excessos de cada pessoa. A partir das respostas a um formulário com dez perguntas simples - como o tempo que o chuveiro fica aberto e se a torneira da pia é fechada ao lavar louças -, o programa calcula o volume diário gasto. No canto direito da tela do computador, um painel acumula a quantidade de água usada em cada atividade, revelando um diagnóstico preciso dos hábitos registrados.

A análise é feita com base em parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS), que estabelece a média de 110 litros de água por dia para satisfazer as necessidades individuais. Os dados do site mostram que o banho é, geralmente, o grande vilão do desperdício. "Percebemos que o chuveiro é responsável por cerca de 50% do gasto de água de cada pessoa", diz Érika Fabri, coordenadora do curso de engenharia ambiental da Newton Paiva. Dois banhos de dez minutos de duração cada um equivalem a 60 litros de água, mais da metade da cota individual estabelecida pela OMS. Como as duchas elétricas são também inimigas da economia de energia, é bom fechar logo a torneira.

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Para não ficar com as torneiras secas

A venda de caixas-d'água cresceu 400% na capital, nos dois primeiros meses deste ano

Diante da perspectiva de racionamento no abastecimento, belo-horizontinos se apressam para comprar caixas-d'água. Segundo a Associação do Comércio de Materiais de Construção de Minas Gerais (Acomac-MG), a venda do produto deu um salto médio de 400% na capital nos dois primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014. "As pessoas buscam soluções imediatas e baratas, por isso a procura por caixas cresce vertiginosamente", diz o presidente da Acomac-MG, Rui Fidélis. Além de alternativas para armazenar o líquido cada vez mais precioso, os consumidores têm buscado equipamentos que ajudam a evitar desperdícios, como torneiras de fechamento automático e válvulas inteligentes para a descarga. "As vendas começaram a crescer em outubro, mas agora estamos quebrando recordes", afirma a gerente da Santa Cruz Acabamentos, Paula Vinte. O reservatório de polietileno de 1 000 litros - o mais procurado no mercado - custa, em média, 340 reais.

O medo de ficar com as torneiras secas fez o funcionário público André Massena investir no armazenamento. No último mês, ele comprou uma caixa-d'água de 2 500 litros para a casa onde mora, no bairro João Pinheiro, Região Noroeste de BH. Os dois reservatórios antigos, de 500 litros cada um, agora são usados para captar água da chuva. "Fiz as contas e, no caso de um racionamento, minha família ficaria sem água em apenas dois dias", diz. Ele calcula que o volume que terá em estoque será suficiente para pelo menos uma semana. A preocupação de Massena não é em vão. O Instituto Mineiro de Gestão das Águas oficializou, na semana passada, a situação de escassez hídrica na região metropolitana de Belo Horizonte, o que libera a Copasa para adotar medidas de emergência, como a escala de rodízio no abastecimento e a cobrança de sobretaxa para os consumidores que não reduzirem o gasto. O plano deve entrar em vigor em maio.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE