Trânsito

Campanha da BHTrans quer mudar os hábitos de quem está no volante ou circula a pé pela região central de BH

Objetivo é reduzir números de atropelamentos e que cada um faça sua parte por um trânsito melhor

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Os belo-horizontinos parecem não ligar para o alerta vermelho do semáforo

Belo Horizonte vive uma proliferação de jaywalkers. Jay é um pássaro encontrado nos Estados Unidos e na Europa, popular por uma peculiar característica: pular de forma irregular e bem esquisita. Por isso, é também o apelido dado ao pedestre que burla as regras de trânsito, ziguezagueando pelo tráfego sem observar os sinais. No cruzamento da Avenida do Contorno com a Amazonas, no Santo Agostinho, durante quinze minutos, enquanto 55 pessoas atravessaram na faixa exclusiva, outras 28 optaram pelo meio do quarteirão. Nesse ponto, considerado crítico pela BHTrans, a empresa que administra transportes e trânsito na capital, oito delas arriscaram-se numa corrida enquanto o sinal estava vermelho (veja o quadro abaixo). Para tentar mudar os hábitos dos belo-horizontinos, a campanha "Pedestre. Eu respeito", voltada aos motoristas, se estende a esses cidadãos descuidados.

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(Foto: Redação VejaBH)

"Queremos mudar o comportamento do motorista e, até 2020, reduzir o índice de atropelamentos pela metade. Para isso, também precisamos da colaboração do pedestre", afirma Jussara Bellavinha, diretora de atendimento e informação da BHTrans. Segundo o último levantamento da empresa, referente a 2011, foram registrados 16 294 acidentes na cidade, uma média de 45 por dia. A taxa de atropelamentos é de 19,93 por 10 000 veículos, indicador considerado elevado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que incluiu Belo Horizonte na campanha mundial "Década de ações pela segurança no trânsito". "Os motoristas são abusadinhos, mas nós, pedestres, também somos. Por isso, achamos normal fazer o errado", admite a estudante de direito Gisele Abreu. Na última terça-feira (9), na Avenida do Contorno, esquina com a Rua Grão Mogol, no Carmo, ela não se incomodou em esperar que dezenove carros passassem até poder atravessar, embora a preferência fosse dela. Nesse ponto, durante quinze minutos de observação, apenas quatro motoristas, dos 89 veículos que pegaram a via, respeitaram a placa e a faixa (veja o quadro abaixo). São raros os condutores que, ao não dar a preferência aos pedestres, acabam multados. A diretora da BHTrans acredita, porém, que após a campanha educativa isso vai ocorrer com maior frequência.

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(Foto: Redação VejaBH)

Se a punição já estivesse valendo, em uma análise feita pela BHTrans em 14 de março, na Avenida Francisco Sales, entre a Rua Ceará e a Avenida Brasil, durante doze horas e trinta minutos, 365 motoristas teriam sido multados: 328 por invadir a linha de retenção e parar sobre a faixa de pedestres e 37 por avançar o semáforo. Esse levantamento foi feito, contudo, apenas para dar o pontapé para o lançamento da campanha, iniciada na Região Hospitalar e que a cada mês mudará de lugar até completar um ano. "A BHTrans precisa mesmo ajudar, pois os sinais não são sincronizados e a faixa de pedestres nem sempre está no melhor lugar", aponta Marcelo Fiuza, estudante de ciência da computação. O motorista particular Elias Toledo, que é também jaywalker assumido, acha que uma solução óbvia reduziria - e muito - o número de atropelamentos na cidade. "Basta cada um, seja o motorista, o pedestre ou a BHTrans, fazer a sua parte", diz. Ainda falta muito, infelizmente.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE