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Campeonato estadual sofre com intervenção do Ministério Público na Federação Mineira de Futebol

Ação contra o presidente da Federação Mineira de Futebol afasta patrocinadores e complica a organização da disputa

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Eugênio Sávio eGustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Lance da final do último torneio, entre Atlético e Cruzeiro, em maio de 2013: a 100ª edição da competição começa, neste domingo (26), em meio a uma guerra de liminares

Quando a bola rolar no Mineirão neste domingo (26), na partida entre Cruzeiro e URT, terá início a 100ª edição do Campeonato Mineiro. No gramado, jogadores da Raposa e do Pato disputarão os 3 pontos pela vitória. Já fora das quatro linhas, o confronto será entre Paulo Schettino, presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), e o promotor Eduardo Nepomuceno, do Ministério Público de Minas Gerais. O que está em discussão é a permanência de Schettino à frente da federação sem a realização de eleições. Delegado aposentado e ex-deputado estadual, ele é considerado o homem mais poderoso do futebol mineiro e está no cargo há onze anos. Deveria ter deixado a federação em dezembro de 2012 porque, pelo estatuto, não poderia tentar a terceira reeleição. Mas conseguiu uma autorização dos dirigentes dos clubes para ficar até dezembro de 2014.

"Não há ninguém preparado para comandar o futebol mineiro em um ano tão importante.''

Paulo Schettino, presidente da FMF

"É como se a presidente Dilma Rousseff convocasse o Congresso e estendesse seu mandato."

Eduardo Nepomuceno, promotor

"O que ele fez é surreal", diz o promotor Nepomuceno. "É como se a presidente Dilma Rousseff convocasse o Congresso e estendesse seu mandato sem uma nova eleição." O Ministério Público já propôs 37 ações contra Schettino. Por causa da mais recente, ele foi afastado em dezembro último. Dois interventores mantiveram a sede da entidade, no Barro Preto, lacrada por um mês, entre 13 de dezembro e 13 de janeiro, e estavam encarregados de dirigi-la durante o estadual. Mas, a pouco mais de uma semana do início do campeonato, o presidente conseguiu uma liminar liberando sua volta. De acordo com a Justiça, terá de convocar uma eleição até o dia 28 de fevereiro. Ele já avisou, porém, que vai recorrer da decisão. "Não há ninguém preparado para comandar o futebol mineiro em um ano tão importante quanto 2014, com Copa do Mundo", diz o presidente da FMF.

Diante do imbróglio, as negociações dos contratos de patrocínio, uma fonte de renda importante para a federação, foram interrompidas. "Ninguém quis negociar nessa situação", conta o presidente, que não revela o valor do prejuízo. Segundo ele, a FMF também perdeu os prazos para parcelar impostos devidos ao governo federal e, por isso, está impedida de receber repasses do Ministério dos Esportes. A preparação dos árbitros e auxiliares, assim como a regularização da documentação de atletas, teve de ser feita a toque de caixa. Em 2003, Schettino assumiu a direção para substituir Elmer Guilherme Ferreira (1948-2011), de quem era vice e que foi afastado sob a acusação de apropriação indébita, formação de quadrilha e falsificação de documentos. O delegado aposentado garante que sua gestão tem sido exemplar. "Tudo o que fiz está dentro da lei", diz ele, que considera injustas as ações movidas pelo Ministério Público. "Não digo que o promotor está me perseguindo, mas que temos opiniões diferentes. Prefiro acreditar que é só isso."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE