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Centro Cultural Banco do Brasil abre as portas na Praça da Liberdade com obras de mulheres que são ícones da arte mundial

O maior em área aproveitável, quarto CCBB do país será inagurado na terça (27), após quatro anos em obras

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O prédio em estilo eclético: a adaptação custou 37 milhões de reais

As cortinas do Circuito Cultural da Praça da Liberdade foram abertas em 2010, depois da transferência das secretarias estaduais que ocupavam seus edifícios históricos para a Cidade Administrativa, no bairro Serra Verde. Mas só nesta terça (27) entrará em cena o principal protagonista do espetáculo, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). E ele chega sob holofotes. O prédio de seis andares, onde funcionou a Secretaria Estadual da Defesa Social, será inaugurado com a exposição internacional Elles, organizada pelo Centro Georges Pompidou, um dos espaços mais visitados de Paris. As 120 obras produzidas por mulheres que são ícones na arte mundial - entre elas a belo-horizontina Lygia Clark (1920-1988) e a mexicana Frida Kahlo (1907-1954) - ocuparão galerias que somam 1 200 metros quadrados. Trata-se de um marco na cena cultural de Belo Horizonte, a quarta cidade a receber o complexo patrocinado pelo banco estatal. A expectativa é que a programação de qualidade, com preços acessíveis, atraia grandes plateias, como nas unidades do CCBB em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. No ano passado, os três espaços receberam, juntos, cerca de 4,5 milhões de visitantes e entraram no ranking internacional dos 100 endereços com maior público, realizado pela publicação inglesa The Art Newspaper.

A unidade de Belo Horizonte é a maior da rede em área aproveitável. Ao todo, são 12 000 metros quadrados dedicados exclusivamente à cultura. Dois terços do centro cultural entram em funcionamento agora. Outros 4 000 metros quadrados serão abertos em uma segunda etapa, ainda sem data definida. Com investimentos de 37 milhões de reais, o trabalho de recuperação do edifício projetado em 1926 pelo arquiteto Luiz Signorelli (1896-1964), fundador da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, durou quatro anos. A data de inauguração foi adiada várias vezes por causa de mudanças no projeto. "O desafio maior foi resgatar a proposta original e adaptar as instalações de um órgão público para o uso moderno de um centro cultural", explica Flávio Grillo, arquiteto especialista em restauração de monumentos históricos e responsável pela obra.

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O estilo do prédio, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) em 1977, é classificado como eclético tardio, pois mistura o clássico (composição simétrica da construção) e o renascentista (uso de elementos gregos, como colunas). Grillo conta, por exemplo, que a cor ocre da fachada foi encontrada debaixo de seis camadas de tinta e que, para construir um teatro de 270 lugares, foi necessária a instalação de uma estrutura metálica com capacidade para suportar os andares superiores. O trabalho acabou sendo marcado por surpresas como a descoberta, no pátio interno, de uma curiosa caixa de concreto com cerca de 800 armas, entre antigos revólveres, garruchas e punhais. É que o edifício abrigou, durante a Revolução de 1930, o Comando-Geral das Forças Revolucionárias.

Ex-diretor artístico do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, o curador independente Marcello Dantas acredita que o CCBB será a "âncora" do Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Diferentemente dos outros estabelecimentos dali, que contam com acervo permanente, o Centro Cultural Banco do Brasil terá uma programação variada, incluindo exposições de grande porte. "Belo Horizonte, até então, não estava nesse roteiro porque as salas do Palácio das Artes e do Museu de Arte da Pampulha são pequenas", diz Dantas. Na opinião do fotógrafo e curador Eder Chiodetto, o visitante - seja belo-horizontino, seja turista - encontrará no novo espaço uma opção tão prestigiada quanto o Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, na região metropolitana. "O Inhotim popularizou Minas Gerais no mundo das artes, e o CCBB vai aquecer essa nova reputação", afirma.

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O edifício, projetado em 1926, exibe elementos da arquitetura grega, como as imponentes colunas e as flores esculpidas (no detalhe): muitas surpresas encontradas durante a reforma

É muito provável que as mostras realizadas nos outros centros da rede desembarquem também por aqui. "Mas isso dependerá da logística, do prazo acertado para que o acervo fique fora do local de origem e de outros fatores", explica o diretor do nosso CCBB, Carlos Nagib. "Até o clima das cidades pode influenciar. O tempo seco de Brasília, por exemplo, impediu que Elles fosse para lá." Segundo o diretor, cerca de 100 projetos já estão confirmados até o fim de 2014. Em outubro, o teatro do CCBB será inaugurado com a peça Prazer, da companhia belo-horizontina Luna Lunera. Para novembro, a principal atração será a exposição de obras do artista mineiro Amilcar de Castro (1920-2002). Paralelamente, haverá uma ação de homenagem ao escritor Fernando Sabino (1923-2004), da qual também participarão outros centros e museus.

Gerente do Circuito Cultural Praça da Liberade, Cristiana Kumaira diz que a abertura do CCBB contribuirá para que o complexo no entorno da praça chegue neste ano à marca de 1 milhão de visitantes, 43% mais do que os 700 000 registrados em 2012. O circuito reúne atualmente nove espaços (veja o mapa ao lado). Outros seis estão a caminho: a Casa Fiat de Cultura, o Museu do Automóvel, o Inhotim Escola, o Centro de Referência de Economia Criativa do Sebrae, as novas instalações da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e o Museu Clube da Esquina. Além desses, o prédio conhecido como Rainha da Sucata, cujo estilo destoa do encontrado no resto da praça, abrigará o Centro de Informação ao Visitante assim que for concluída sua reforma. Funcionará como apoio para a divulgação dos eventos em todos os espaços. Entre os edifícios antes ocupados pela administração estadual, só não há destinação definida para o que sediava o Iepha, de cor verde, localizado na esquina da Rua Gonçalves Dias. A ideia é dedicar o lugar às artes cênicas, uma vez que a capital abriga importantes grupos como o Galpão, o Giramundo e o Corpo. "As atrações do circuito foram pensadas para refletir a diversidade cultural mineira", diz a secretária estadual de Cultura, Eliane Parreiras. Uma riqueza que pode ser apreciada em palcos cada vez melhores.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE