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Decisão final sobre expansão da Fundação Hilton Rocha está próxima

Projeto, aos pés da Serra do Curral, recebe parecer favorável na Comissão de Meio Ambiente

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Victor sShwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O antigo centro oftalmológico ao pé da Serra do Curral: prédio deteriorado pela ação do tempo

Mais um passo foi dado no caminho para a construção de um moderno centro de tratamento de câncer em Belo Horizonte. A expansão da Fundação Hilton Rocha, instalada no bairro Mangabeiras, ao pé da Serra do Curral, obteve uma vitória e tanto no Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam). O relator do processo de licenciamento da obra, Homero Brasil Filho, emitiu parecer favorável ao empreendimento. Em reunião marcada para o fim deste mês, os demais integrantes da comissão devem votar a decisão final do imbróglio, que se arrasta há seis anos. Caso seja aprovado, o prazo de conclusão do novo hospital é de 24 meses. Está prevista a implementação de 220 leitos de oncologia, o que ajudará a reduzir a carência de 3 000 vagas desse setor na capital. Segundo a Sociedade Brasileira de Cancerologia, menos de 100 leitos para pacientes com câncer foram criados em Minas nos últimos cinco anos nas redes pública e privada.

De acordo com o projeto, a nova estrutura vai ocupar uma área de quase 40 000 metros quadrados. Um prédio de sete pavimentos será erguido e parte dos oito blocos que compõem a Fundação Hilton Rocha será demolida. Devem ser mantidos apenas o edifício principal, com entrada pela Avenida José do Patrocínio Pontes, e os anexos 7 e 8, mais ao fundo, onde atualmente funciona um centro oftalmológico com capacidade para 500 atendimentos por mês. Orçada em 80 milhões de reais, a obra será feita pelo grupo Oncomed, que, em 2009, arrematou o empreendimento em um leilão feito por determinação judicial para quitar dívidas da fundação. "Além dos benefícios na área da saúde, o novo hospital vai garantir a requalificação do espaço degradado pela ação do tempo", afirma Amândio Fernandes, diretor da Oncomed.

Perspectiva Quattromani e Carsalade
(Foto: Redação VejaBH)

Projeto do centro de tratamento de câncer: 220 leitos devem ser criados em edifício de sete andares

A construção da estrutura em terreno na Serra do Curral, considerada área de preservação ambiental, só deve ser possível graças à aprovação da Lei 10 630, em 2013, que alterou as regras de parcelamento, uso e ocupação do solo. A nova legislação criou parâmetros para promover a construção de hospitais, inclusive em zonas de preservação ecológica. No processo de licenciamento ambiental, o relator ressalta que o empreendimento da Oncomed deverá seguir cuidados para evitar impactos na paisagem, como harmonização geométrica dos andares com a serra, o uso de materiais de cor e textura neutras e criação de jardins integrados à flora nativa. Além disso, deve ser construído um estacionamento subterrâneo com capacidade para 449 veículos.

O avanço do projeto é motivo de preocupação para a Associação dos Moradores do Bairro Mangabeiras (Amobam). "O projeto é muito complexo e trata-se de uma área de preservação ambiental que requer decisões certas para evitar arrependimentos", diz Alberto Dávila, presidente da Amobam. Ele ainda ressalta que a principal falha do processo é a ausência de parecer final do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo tombamento da Serra do Curral. "Não somos contra nada, mas o Iphan ainda não autorizou o empreendimento." O grupo Oncomed se defende sob a alegação de que os gestores da Área de Proteção Ambiental (APA) Sul de BH afirmam que o terreno em questão está fora dos limites do tombamento federal e que todos os órgãos vinculados à prefeitura, como a BHTrans, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) e a Fundação Municipal de Cultura, são favoráveis à iniciativa. Agora só resta à cidade torcer para que o bom senso e a preocupação com a saúde e com o meio ambiente encontrem um ponto de equilíbrio na próxima votação do Comam, em 28 de janeiro.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE