Música

Clã dos Vianna se dedica ao ofício de afinação e restauro de pianos há cinco gerações

Pai e filho, Osvaldo e Leandro Vianna costumam atender os exigentes pedidos de músicos e artistas

Por: Rafael Rocha - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Leandro e Osvaldo Vianna junto ao piano Steinway que é o xodó da dupla: filho e pai com a mesma vocação

Em uma apresentação recente, no Rio de Janeiro, o músico José Miguel Wisnik fez uma única exigência: que o piano fosse o mesmo usado no concerto anterior, em Belo Horizonte. Em setembro, o virtuoso pianista Chick Corea pediu um excelente instrumento e um técnico fluente em inglês para um show em Olinda, durante o Mimo, um dos maiores festivais de música instrumental do país. No ano passado, o russo Vladimir Feltsman queria um banco que não se mexesse em hipótese alguma para tocar com a Orquestra Filarmônica. Todos esses pedidos foram encaminhados aos Vianna, um clã belo-horizontino que se dedica ao ofício de afinação e restauro de pianos. Pai e filho, Osvaldo e Leandro Vianna já se acostumaram aos meticulosos pedidos dos artistas. Entre os músicos atendidos por eles estão feras como Nelson Freire, Arthur Moreira Lima e Arnaldo Cohen. Há mais de um século (a saga começou em 1870) a família é referência no ramo.

Lá se vão cinco gerações de profissionais especializados em piano. A primeira nota foi dada pelo tataravô de Osvaldo, Trajano de Araújo Vianna, um violoncelista que participou do primeiro concerto feito em BH, quando a cidade ainda se chamava Curral del Rei. Desde então, em apresentações e bailes, nos cassinos de antigamente e nos casamentos chiques dos dias atuais, sempre que há um piano em destaque é provável que algum dos Vianna esteja por perto, oferecendo suporte. "Minha avó era professora de música, tínhamos quatro pianos em casa e todo mundo tocava o tempo todo", lembra Osvaldo. A família chegou a ser dona de uma fábrica do instrumento, fechada na década de 70. Hoje, o clã atua também com revenda e aluguel de pianos e mantém uma loja no bairro Castelo. Se depender dos Vianna, a tradição ainda será mantida por muitas gerações.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE