Cidade

Com a conclusão da polêmica licitação, 605 novos táxis vão rodar por BH

Acréscimo será de 10% à frota atual dos carros que já estão nas ruas da capital

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O primeiro a ser sorteado, João Quirino financiará 35 000 reais para comprar seu carro: "Foi quase como ganhar na Mega-Sena"

Para quem utiliza o serviço de táxis da cidade, enfim uma boa notícia: mais 605 carros, um acréscimo de 10% à frota atual de insuficientes 6 015 veículos, passarão a circular nas próximas semanas. A novela da licitação para novas permissões, que se arrastou por quase um ano, chegou ao fim no último dia 8, véspera do Carnaval, depois que o desembargador Jair Varão, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, derrubou a liminar que ele mesmo concedera para suspender o processo por suspeita de fraude. Em 23 de janeiro, Varão havia acatado o pedido de liminar da ação movida por quinze taxistas com base na denúncia de que um dos aprovados tinha adulterado seu registro de penalidades no Detran, um dos critérios de avaliação dos 6 000 candidatos. Não foi a primeira vez que a Justiça suspendeu o processo. Agora, porém, a BHTrans nem sequer chegou a ser notificada da decisão. A comunicação ficou parada na Procuradoria-Geral do município e, sem o aviso, a empresa que administra trânsito e transportes na capital deu andamento ao caso. Seis dias depois, em 29 de janeiro, publicou no Diário Oficial do Município a convocação de 490 permissionários, sorteados entre os 1 743 que obtiveram pontuação máxima na fase de classificação. As outras 115 licenças foram concedidas a empresas que terão carros adaptados para o transporte de pessoas com dificuldade de locomoção e taxistas deficientes. "Não descumprimos nenhuma decisão judicial porque não fomos formalmente identificados", afirma o presidente da comissão de licitação da BHTrans, Júlio César da Silva. Diante do imbróglio armado e do pedido de reconsideração apresentado pela empresa, o desembargador acabou reformando sua decisão. E ficou tudo como estava.

Os autores da ação naturalmente se decepcionaram com o desfecho. "Se um único candidato conseguiu fraudar a licitação, outros também podem tê-lo feito, maculando todo o processo", acredita o advogado Luciano Bemfica, representante dos taxistas que pediam um novo sorteio. Para quem sofre diariamente tentando encontrar um táxi livre nos horários de pico, no entanto, o capítulo final é motivo de alívio. Desde 1996, quando havia ocorrido a última expansão da frota, a população de Belo Horizonte cresceu 15%. A de­­manda pelo serviço aumentou, mas a oferta ficou congelada. Segundo a BHTrans, até o fim de março todos os 605 novos permissionários devem estar circulando pela cidade. Será o caso de João Quirino, o primeiro a ser sorteado. "Foi quase como ganhar na Mega-Sena", diz ele, que, feliz da vida, financiará 35 000 reais para comprar um carro. Há dezesseis anos Quirino tra­­balha com o táxi de outra pessoa e fica com apenas 40% do faturamento. Agora, sua renda pode pular dos atuais 60 reais por dia para 150 reais. Ele tem mesmo o que comemorar. Os passageiros também.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE