Volta às aulas

Confira dicas para escolher o transporte escolar e não ter dor de cabeça com a prestação do serviço

Pais devem ficar atentos a detalhes de segurança que vão além do preço da mensalidade

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A condutora Fátima Freitas: em quinze anos, seus clientes nunca pediram para conferir a autorização de tráfego

Nem toda van com uma faixa amarela e a palavra "escolar" pintada na lateral tem autorização para prestar esse tipo de serviço. O alerta é da BHTrans, empresa que administra o trânsito e os transportes em Belo Horizonte. Foram cadastrados no fim do ano passado mais 352 veículos, o que elevou a frota legal da cidade para 2 170 carros. Há, entretanto, muitos ilegais rodando por aí sem cumprir as regras de segurança, pondo em risco a vida de estudantes, de crianças a universitários. A cada mês, pelo menos vinte desses clandestinos são autuados por transitar sem licença. "Muitos pais se preocupam mais com o preço do que em saber se o motorista e o carro estão aptos", lamenta a motorista Karine da Veiga Fernandes, que há dezesseis anos trabalha buscando e entregando alunos em casa. Na última segunda (21), ela foi ao pátio da BHTrans atualizar sua documentação. O selo afixado no para-brisa é a principal garantia de que o transportador recebeu a autorização de tráfego, um documento de porte obrigatório que tem de ser renovado a cada seis meses.

Às vésperas da volta às aulas, a demanda por vistoria anda intensa. São feitas, em média, 54 inspeções por dia. Os escolares passam por um teste dos pneus, dos freios, da direção, do extintor de incêndio, dos cintos de segurança, do sistema elétrico e de toda a parte mecânica. "Os reprovados precisam se adequar e se submeter a uma nova avaliação. Caso contrário, ficam sujeitos a uma multa de 203 reais", explica o supervisor da BHTrans, Carlos Franklin. "Fazemos nossa parte, mas os pais também precisam fazer o dever de casa deles, que é conferir a documentação." Coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci cita cuidados que precisam ser tomados antes de contratar o transporte escolar. O ideal é escolher entre os prestadores recomendados pela própria escola. Quando ela não oferece uma lista de indicações, é preciso buscar referências com outras pessoas que já utilizaram o serviço. É importante saber se o motorista conta com um monitor para organizar a meninada dentro da van ou do micro-ônibus. Esse funcionário é o responsável por cuidar das crianças enquanto o motorista desce do veículo para buscar algum passageiro na porta de casa, por exemplo.

Maria Inês chama atenção para as cláusulas contratuais. Alguns transportadores cobram pagamento de reserva da vaga durante as férias escolares e reajustam a mensalidade sempre que há aumento do preço do combustível. Os usuários podem pedir a inclusão de uma multa por descumprimento de horários por parte do motorista. "Pais e estudantes devem exigir seus direitos como consumidores", ressalta a coordenadora da Proteste. Antes de fechar o negócio, claro, é preciso conferir se o selo de inspeção afixado no para-brisa do veículo e a documentação do condutor estão em dia. Há quinze anos trabalhando no ramo, a motorista Fátima Freitas faz questão de cumprir à risca as determinações da BHTrans. "Mas meus clientes nunca pediram para ver minha autorização de tráfego", diz. Deveriam.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE