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Conheça os melhores segredos de compras da Feira Hippie de Belo Horizonte

Confira o que VEJA BH encontrou pelos corredores das nossas barracas que a cada domingo recebem 80000 visitantes

Por: Carolina Daher - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

As coloridas barracas vistas do alto: mudança no layout prevista para este mês

Ainda é noite quando os artesãos começam a montar suas barracas no asfalto e os primeiros ônibus de excursão - trazendo visitantes de outras cidades, até de outros estados - estacionam nas imediações da Avenida Afonso Pena, no Centro. A cada domingo, entre 7 e 14 horas, cerca de 80 000 pessoas passam pela Feira de Artes, Artesanato e Produtos de Variedades de Belo Horizonte, a popular Feira Hippie. Com 2 169 bancas divididas em dezesseis setores, ela é considerada a maior a céu aberto da América Latina. "É a nossa praia de domingo", brinca Andréa Lúcia Bernardes Fernandes, gerente regional de feiras permanentes da Região Centro-Sul. Uma praia que atrai gente de todas as idades e classes sociais. O que se vê hoje é um retrato bem diferente de quando ela surgiu, em 1969. Naquele ano, alguns estudantes de artes plásticas resolveram expor seus trabalhos na Praça da Liberdade, na Savassi. As autoridades municipais não gostaram de ver um bando de cabeludos instalados em área tão nobre, mas não proibiram o evento, que era realizado esporadicamente. A cada edição, a feira "dos hippies" reunia mais expositores e visitantes. Em 1973, quando a prefeitura assumiu a coordenação, ela já havia se transformado na principal atração semanal da praça. Com o passar dos anos, o movimento cresceu tanto que o espaço ficou pequeno. As degradações ao patrimônio histórico tornaram-se inevitáveis. Apesar dos protestos dos feirantes, em 1991, a montagem das barracas foi transferida para o endereço atual.

Galeria de fotos Bons achados - 15 produtos da Feira Hippie Galeria extra (exclusiva do site) Bons achados - mais 14 produtos da Feira Hippie

Mais de duas décadas depois, a feira está prestes a passar por mais uma mudança. A partir deste mês, ela terá um novo layout. O objetivo é garantir mais segurança aos frequentadores. De acordo com o desenho aprovado pelo Corpo de Bombeiros, haverá mais corredores de circulação e faixas livres para atendimento de emergências. Em vez de as barracas serem instaladas em longas filas, como atualmente, elas serão agrupadas de quatro em quatro. A alteração está prevista para ocorrer em duas etapas, nos próximos dias 11 e 18. A nova localização das bancas foi definida por sorteio, para evitar privilégios. Muitos artesãos, porém, estão insatisfeitos. Existem seis ações tramitando na Justiça contra a medida. "Eles já fizeram seu ponto e alegam que os clientes não terão como achá-lo", afirma Alan Vinícius, coordenador da Associação dos Expositores da Afonso Pena (Asseap). Dá mesmo para ficar perdido nos corredores estreitos, mas vale a pena se aventurar por eles. VEJA BH, depois de percorrer todos os setores da feira, de gastronomia a objetos de decoração, e ouvir as histórias de feirantes e visitantes, preparou o mapa da mina: uma seleção dos bons achados - produtos descolados com preços em conta - que podem ser encontrados por lá.

Histórias da avenida Receita baiana

A soteropolitana Maria das Dores Ricardo mudou-se para BH há mais de três décadas e trouxe na mala as receitas do acarajé, do vatapá e do caruru que sua mãe, Feliciana, preparava. Para sustentar seus cinco filhos, Dodô, como é conhecida, foi vender o quitute na feira, que ainda era realizada na Praça da Liberdade. Hoje, produz cerca de 300 unidades por domingo e se orgulha de ser a baiana mais conhecida do pedaço. "Já tive convites para trabalhar em outros lugares, mas não saio daqui. A feira é a minha vida." Em um caderninho que chama de "livro de presenças", ela registra todos os estrangeiros que já atendeu.

Sonho antigo

Moradora de Montes Claros, a 424 quilômetros da capital, a estudante Vânia Mendes sempre quis conhecer nossa famosa Feira Hippie. A oportunidade, porém, só surgiu recentemente. Ela esperava um evento grandioso, mas o que encontrou na Avenida Afonso Pena superou suas expectativas. "Aqui tem de tudo um pouco", comentou durante sua primeira visita. Vânia passou uma manhã inteira percorrendo os corredores, encantada com as bijuterias e com as bolsas.

Teste para entrar

Quando Donato Peret Mauro começou a expor, nos anos 70, os produtos ficavam no chão, em cima de uma lona. Na época um estudante de belas-artes, ele foi reprovado três vezes no teste de aptidão, aplicado por uma comissão técnica, antes de conseguir sua vaga na feira. "Era muito difícil de entrar", lembra. Seus colares com pingente de aço ou latão são um sucesso. Ele fabrica mais de 300 modelos. "Mas o que mais gosto de fazer é o da bicicleta", conta Mauro, um aficionado de qualquer tipo de magrela.

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Referências internacionais

Em 1975, Luiz Alberto Nacif Campos trancou a matrícula na Faculdade de Belas-Artes e foi conhecer o mundo. Passou por 42 países em três anos de viagem. O tipo de artesanato que descobriu na África e no Oriente Médio é uma influência nítida nas peças que ele comercializa hoje na feira: acessórios de cerâmica. "Cada bolinha é feita individualmente", explica Campos. O trabalho minucioso é realizado em parceria com presidiários de Nova Lima. "A feira foi uma opção de vida", afirma. "Aqui, conheci gente de todos os cantos do planeta."

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Caricatura para a xuxa

José Reis passou quase todos os domingos dos últimos trinta anos junto às grades do Parque Municipal, desenhando retratos. "Já fiz uma caricatura que foi dada a Xuxa por um fã- clube", lembra. Cada trabalho lhe rende entre 35 e 55 reais. O artista, nascido em Itabira, começou a praticar quando ainda era menino. Mais tarde, cursou desenho técnico no Senai. "Só no ano passado consegui me formar no ensino fundamental", conta ele. "Minha vida sempre foi de luta." Animado, já tem planos para fazer faculdade de belas-artes ou comunicação.

Termômetro da moda

A estudante Raquel Vieira Costa veio de Timóteo, no interior do estado, para as provas de um concurso na capital. Aproveitou a viagem e foi conferir as novidades nas barracas. "É um ótimo lugar para comprar cintos, bolsas e bijuterias", diz Raquel, que levou para casa um jogo de anéis. Filha de uma dona de butique, ela acredita que a Feira Hippie é um bom termômetro do que vai virar moda em cada temporada. "Gosto de passear por aqui para ver as tendências, o que se vai usar."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE