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Considerado um museu a céu aberto, Cemitério do Bonfim abre sua temporada de visitas

Sepulturas de valor artístico e histórico recebem grupos que são acompanhados por guias

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Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O mausoléu do governador Raul Soares: obra do escultor italiano Ettore Ximenes

Grupos de até quarenta pessoas perambulam entre jazigos e mausoléus do Cemitério do Nosso Senhor do Bonfim, na Região Noroeste da cidade. Mas eles não se vestem de preto, como quem perdeu um ente querido ou como os góticos que costumam visitar as necrópoles após o pôr do sol. Pelo contrário. Eles se levantam cedo e aproveitam a luz da manhã para ver os detalhes do lugar, considerado um museu a céu aberto. As caravanas participam da visita guiada pelo mais antigo campo-santo de Belo Horizonte - um programa gratuito, cuja temporada 2014 terá início no domingo (30). Trata-se de uma boa oportunidade para conhecer a história por trás do rico acervo de esculturas produzidas entre os séculos XIX e XX a fim de decorar capelas-jazigo, mausoléus e sepulturas (veja informações abaixo).

Esse tipo de passeio pode parecer estranho, mas é comum em várias cidades. O cemitério Père-Lachaise, em Paris, recebe milhares de turistas interessados em ver a última morada de personalidades como o escritor Oscar Wilde e a cantora Edith Piaf. Lugar de repouso eterno da elite argentina, o cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, é outro bastante visitado. "Os túmulos revelam um pouco da identidade dos mortos por meio da arte encomendada por suas famílias", explica Marcelina de Almeida, coordenadora do programa e professora da Escola de Design da Uemg. No Bonfim, há monumentos de diversos estilos, do art déco ao modernista. Uma das obras que mais despertam curiosidade entre os visitantes é o suntuoso mausoléu do governador Raul Soares (1877-1924), feito pelo escultor italiano Ettore Ximenes. Já as sepulturas mais visitadas são a da irmã Benigna (1907-1981) e a do padre Eustáquio (1890-1943), embora os restos mortais de ambos tenham sido transferidos para igrejas.

A história do lugar é anterior à da capital. Em fevereiro de 1897, o cemitério teve de ser aberto às pressas, dez meses antes da inauguração de BH. O motivo foi a morte da belga Berthe Adele Théreze de Jaegher, filha de um dos engenheiros da comissão construtora da nova cidade. O pai se recusou a enterrá-la no campo improvisado, no Centro. Durante 44 anos, o Bonfim foi o único endereço onde enterrar os mortos daqui. Por isso, há espaços ricamente ornamentados misturados a outros bem modestos. "Era um espaço democrático, mas cada túmulo mostrava a qual classe o morto pertencia", explica Marcelina.

Tour pela necrópole

As visitas guiadas pelo Cemitério do Bonfim ocorrem uma vez por mês, sempre no último domingo, com início às 9 horas, para grupos de, no máximo, quarenta pessoas. O agendamento deve ser feito por telefone (☎ 3277-5398) ou pelo e-mail agendaparques@pbh.gov.br.

É bom agendar com antecedência, pois a procura tem sido grande. Os organizadores avaliam a possibilidade de aumentar a frequência dos passeios, tornando-os semanais.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE