Trânsito

Os contrastes entre a mais longa e a mais curta linha de ônibus de BH

A maior tem 55 quilômetros de extensão e passa por 53 bairros. Já a menor, com apenas 1,5 quilômetro, percorre somente duas ruas

- Atualizado em

Nidin Sanches/odin
(Foto: Redação VejaBH)

A relações-públicas Gabriela Tolentino, viajando em pé no 6350 (foto maior): "Ele dá muitas voltas"

No balanço do balaio / sacolejo, sacolejo, sacolejo / aí me dá um sono / eu pego meu balaio lá pra Zona Norte..." Lançada em 1999, a música No Balanço do Balaio, do belo-horizontino Vander Lee, reflete bem a dura rotina de quem embarca nos ônibus da linha circular 6350, a mais longa da cidade. Ela sai da Estação Barreiro, na Região Sul, e passa por 53 bairros. São 55 quilômetros de extensão, enfrentados diariamente por estudantes, funcionários da Cidade Administrativa e trabalhadores de lojas do Shopping Estação BH. VEJA BH embarcou no coletivo em uma manhã de sexta-feira. Às 9h32, o veículo partiu do Barreiro já com quase todos os assentos ocupados. Durante a maior parte do trajeto até a Estação Vilarinho, muitos passageiros viajaram em pé, espremidos no corredor. Só na região da Pampulha é que o carro ficou menos cheio. "Ele dá muitas voltas", reclama a relações-públicas Gabriela Tolentino, que desembarca na Estação Vilarinho, de onde pega outro ônibus rumo à Cidade Administrativa. A técnica administrativa Ana Lúcia Mercês, por sua vez, se conformou com o longo trajeto e aproveita o tempo para pôr a leitura em dia. "Quando dou a sorte de encontrar uma cadeira vaga", explica.

Nas três horas que dura o percurso, pelo menos oito tipos mal-encarados saíram pela porta da frente sem pagar passagem. Além de darem prejuízo à empresa de ônibus, eles cometeram um crime com pena de reclusão de quinze a sessenta dias, mais multa. "É um problema diário que a gente tem medo de impedir", confessa João Franco, que é motorista de ônibus faz 25 anos e trabalha na rota há três. "Já fui ameaçado de morte várias vezes só por perguntar se eles iriam rodar a roleta."

Na contramão da 6350, a linha mais curta de BH, a 336, parece a de uma cidadezinha do interior. Sai do Hospital Eduardo de Menezes, no bairro Mi­­lionários, e passa por apenas duas ruas até o Anel Rodoviário, onde faz o retorno. O percurso de ida e volta, de 1,5 quilômetro, é realizado em quatro minutos. O amarelinho, como é chamado, anda sempre vazio. "Os passageiros me conhecem pelo nome", conta o motorista Paulo Eustáquio de Almeida. "Até perguntam pela minha família."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE