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No corpo da fogosa Suelen, Isis Valverde enlouquece marmanjos na ficção e na vida real

Atriz belo-horizontina se destaca na constelação de astros da novela Avenida Brasil

Por: Carolina Daher - Atualizado em

Rodrigo Lopes
(Foto: Redação VejaBH)

No auge da beleza: aos 25 anos, a atriz chega a ganhar 1,5 milhão de reais para estrelar uma campanha publicitária

Calça legging colada no corpo, top curtíssimo, correntinha dourada em volta da cintura e um saltão de causar vertigem. Foi assim que Isis Valverde desfilou sua Suelen pela primeira vez nos corredores do Projac, a central de produção da Rede Globo. Não houve quem não virasse o pescoço para dar uma espiadela. Jogou o cabelão de um lado para o outro e saiu rebolando segura de si, antes de se apresentar para os diretores da novela Avenida Brasil, Ricardo Waddington e Amora Mautner. "Costumo dizer que os personagens procuram os atores", afirma Waddington. "A Isis estava pronta para a Suelen." Em uma constelação com nomes como Adriana Esteves, Débora Falabella e Carolina Ferraz, a estrela belo-horizontina de 25 anos brilhou. Sete anos depois de deixar a capital mineira para tentar se estabelecer como atriz no Rio de Janeiro, a morena levemente estrábica (o que, convenhamos, lhe acrescenta um certo charme) está realizada. Desde que a novela estreou, em março, ela estampa capas de revistas e sites de celebridades, apontada como o símbolo sexual da atualidade. Seu nome está na lista das mais disputadas pela pu­­bli­­ci­­­dade e o cachê para protagonizar uma campanha pode chegar a 1,5 milhão de reais.

Assim que Suelen apareceu na TV, os convites se multiplicaram. Entre outros tantos, foi chamada para ser rainha de bateria da Mangueira e posar nua para a revista PLAYBOY. A moça fogosa que enlouquece marmanjos no fictício bairro do Divino — e no Brasil inteiro — teria certamente soltado foguetes para comemorar. A mineira, porém, jura não ter ficado balançada por nenhuma das duas propostas. Embora dividam o mesmo corpão escultural (são 53 quilos bem distribuídos em 1,63 metro de altura), Suelen e Isis são mulheres muito diferentes. Quando está com os amigos, a atriz, que frequenta cursos livres de psicologia e filosofia, prefere um visual que causaria palpitações na periguete-mor: blusa soltinha, short larguinho e botas sem salto. Bem básica. Em momentos mais informais, mantém o cabelo preso em um coque displicente. Assim recebeu a reportagem de VEJA BH, em uma sexta-feira, depois de cinco horas de gravação. Sorridente, falou sobre (quase) tudo: os tempos em que viveu por aqui, a família que mora em Aiuruoca, no interior de Minas, a carreira e o namorado. Só se irritou quando o assunto foi um possível affair com o jogador David Braz, do Flamengo. "Pelo amor de Deus, você vai mesmo falar sobre isso?", indignou-se. "Até entendo quando a imprensa aumenta. O ator está gostando de alguém e imprimem na capa que ele está apaixonado. Mas inventar? Aí não dá. Essa história é um absurdo."

Galeria: Isis Valverde: seis mulheres muito diferentes

Isis sabe que um dos preços da fama é ver a privacidade escancarada, mas ainda se revolta com os exageros. Seus passos são monitorados pelos paparazzi que fazem plantão na Barra da Tijuca, bairro carioca onde tem uma cobertura. Desde que entrou para o casting da Globo, todos os seus romances acabaram devidamente registrados. Já foi flagrada com galãs como Malvino Salvador, Caio Castro e Ricardo Tozzi. Seus relacionamentos mais longos foram com o ator Marcelo Faria e com o empresário Felipe Reif, de quem ficou noiva. Está há um ano e dois meses com o produtor de TV Tom Rezende, que mora em São Paulo. Linda, famosa e rica, Isis não se incomoda com o fato de o atual namorado não ser uma celebridade sempre na mira de fotógrafos. "Ele podia catar caixote na rua que não teria problema nenhum, podia ser grampeador na Globo", diz. "Homem só tem de ser decente e trabalhador. Vagabundo dentro de casa é que não dá!"

Segundo familiares, desde a infância, Isis costumava ser o centro das atenções. Embora tenha nascido em Belo Horizonte, ela passou a maior parte da vida em Aiuruoca, uma cidadezinha de 6 000 habitantes, a 416 quilômetros da capital, para onde foi levada com poucos meses de vida. Filha única da advogada Rosalba Nable Valverde e do bioquímico Sebastião Rubens Valverde, gostava de exibir suas habilidades "artísticas" para os parentes. Na escola, era atentada. "Enquanto todo mundo assistia às aulas, ela ficava na janela, em outro mundo", lembra a mãe, que foi diversas vezes chamada na diretoria para discutir o comportamento da menina. Na companhia de teatro amador Ajuru, fundada pela advogada, Isis se descobriu. "Eu brincava nas coxias, varava a madrugada nos ensaios com minha mãe, achava tudo aquilo o máximo", conta a estrela, que passava horas inventando histórias com a filmadora presenteada pelo pai. "Às vezes o mundo dá sinais que a gente não entende", comenta hoje a mãe. "Ela já tinha o dom, o talento para a arte desde pequenininha."

Hugo Santarem/Pixel Imagem
(Foto: Redação VejaBH)

"Maria Lúcia era uma menina linda/ E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu..."

Isis teve de vencer quase 400 candidatas para ficar com o papel da mocinha de Faroeste Caboclo, filme inspirado na canção da banda Legião Urbana que tem lançamento previsto para o começo de 2013. "No início, queríamos uma atriz desconhecida do grande público", conta o diretor René Sampaio, que acabou não resistindo aos encantos da estrela global. "Ela é linda, talentosa e tem uma inteligência cênica incrível, mas o que me fez escolhê-la foi sua entrega." Aos 13 anos, Isis já sabia de cor a letra de Renato Russo. "A personagem vive em uma solidão profunda e isso me atingiu muito", diz. No longa, a atriz estreia no cinema e protagoniza sua primeira cena de sexo. "Fiquei um pouco nervosa, mas tudo foi muito lindo." Segundo ela, o ator Fabrício Boliveira (na foto), que vive o icônico João de Santo Cristo, foi um gentleman.

Aos 15 anos, a vida tranquila do interior já não agradava à adolescente cheia de sonhos, que queria ver o mundo além das montanhas de Aiuruoca. Convenceu os pais de que era hora de voltar para a capital. Queria estudar, fazer aulas de inglês, dança. "Quando cheguei a BH, era um bicho do mato, tinha medo até de atravessar uma rua", lembra Isis, que se mudou para um apartamento no Sion, com uma babá contratada pelos pais. "O que mais me fascinou ao chegar à cidade grande foi poder sair para comer à meia-noite, ir a uma farmácia às 3 da manhã", diz. "Lá em Aiuruoca tudo fecha às 18 horas. Se você não comprar pão até essa hora, só no dia seguinte." Aluna do colégio Promove, ela gostava de passear pela Savassi, ir ao shopping e lanchar no Mc Donald's. Foi em um desses passeios que sua beleza chamou a atenção de um olheiro. Em pouco tempo, já era modelo, estampando campanhas publicitárias de empresas mineiras. Com o primeiro cachê, pagou as contas da casa. "Minha mãe dizia que para ser independente era preciso assumir as responsabilidades. Então, com apenas 16 anos, assumi."

Foi em busca da sua independência que, dois anos depois, Isis resolveu, mais uma vez, olhar para outras direções. "Ela trabalhava muito como modelo por aqui, mas chegou um momento em que achou que não tinha mais como crescer", afirma Janaína Silva, booker da Ford Models, agência que a representava naquela época. O pai, Sebastião, não gostou nem um pouco quando a filha contou que queria ser atriz no Rio de Janeiro. "Meu pai é de uma família pobre e, para ele, trabalhar não é ler poesia, emocionar os outros. Trabalho é trabalho." O bioquímico deu um prazo à moça: se depois de doze meses ela não conseguisse se sustentar no Rio, teria de voltar para Aiuruoca.

Em 2005, Isis arrumou as malas e seguiu para a Cidade Maravilhosa, onde se matriculou na tradicional escola de teatro Tablado. Entre uma aula e outra, trabalhava como modelo e fazia testes como atriz. Fez tantos que perdeu a conta. Em pouco mais de seis meses, cansou, arrumou suas coisas e rumou para as montanhas do sul de Minas. Um dia depois de voltar para casa, porém, recebeu um telefonema da Globo. Foram quase dois meses de testes até ser escolhida para interpretar a misteriosa Ana do Véu no remake de Sinhá Moça, que marcou sua estreia na telinha. Três meses antes de vencer o prazo dado pelo pai, foi contratada pela maior rede de televisão do país.

Em sete anos de carreira, ela interpretou seis personagens em novelas globais (veja o quadro na pág. 18). Ainda no ar como Suelen, já está escalada para protagonizar o seriado O Canto da Sereia, inspirado na obra do escritor e produtor musical Nelson Motta. Ela dará vida a uma musa do axé, que é assassinada em pleno Carnaval. O programa, que também terá direção de Ricardo Waddington, vai ao ar no primeiro semestre do ano que vem. Os atores que contracenam no núcleo da periguete em Avenida Brasil não poupam elogios. "Eu me surpreendi com o talento dela", diz Otávio Augusto, que interpreta Diógenes, o sogro da musa do Divino. "Além do corpo e do rosto lindo, a Isis conseguiu dar um peso às outras questões da personagem. Fazer uma gostosinha é fácil, difícil é ter essa sensibilidade."

TV Globo/Ique Esteves
(Foto: Redação VejaBH)

"Nossa deusa de hoje encanta os mais de 3 milhões de moradores de Belo Horizonte e faz justiça ao nome da cidade. Ela é tão bonita que a moçada nem faz fiu-fiu, mas pensa: 'Deus existe e adora BH' ." Assim o diretor Daniel Filho apresentou a mineirinha azarada Catarina, personagem de Isis no seriado As Brasileiras, que foi ar ar neste ano. Embora tenha morado pouco tempo por aqui, ela diz que se sentiu em casa durante as gravações. "Até as gírias voltaram."

Sucesso incontestável na telinha, Isis Valverde se prepara agora para estrear no cinema, como Maria Lúcia, a "menina linda" do filme Faroeste Caboclo (veja o quadro na pág. 20). "Tem gente que pensa que já cheguei lá, mas isso é uma ilusão. Sou testada incessantemente." O convite para participar da versão cinematográfica da lendária canção do grupo Legião Urbana não foi o único. Por duas vezes, foi convidada a participar de testes para produções de Hollywood. Seu agente desde o início da carreira, Marcio Damasceno acha que ainda não está na hora. "Ela já tem vários trabalhos engatilhados por aqui, não pode aceitar, mas talvez faça algumas participações especiais."

Tamanho sucesso mexeria com a cabeça de qualquer moça de 25 anos. Isis, porém, diz que não está deslumbrada e que não se deixará levar pelas armadilhas do estrelato. Os valores que aprendeu com sua tradicional família mineira, afirma, a ajudam a manter os pés no chão. "Se eu levantar voo, minha mãe estoura o meu balão na hora", diz. A mãe, de longe, confirma: "Furo mesmo. Ninguém pode achar que é melhor do que ninguém e a Isis sabe disso." Para ajudar a filha a não se esquecer das raízes, Rosalba faz questão de levar na mala, sempre que vai ao Rio visitá-la, a manteiga, o requeijão e o queijo minas feito na roça, em Aiuruoca. "Ela adora."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE