Especial

Crianças de BH revelam como é a cidade que elas querem

Menos crimes, trânsito e poluição. Mais áreas verdes e lugares para se divertir. Pesquisa de VEJA BH feita com 560 meninos e meninas de 9 a 12 anos, das redes de ensino pública e privada, mostra uma visão espontânea e sincera sobre a Belo Horizonte de todos

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Arthur Pessoa, Ester Martins, Clara Silva e Pedro Lott, do 4º ano do Colégio Loyola: elogios e críticas à capital que completa 115 anos nesta quarta (12)

Alguns consideram Belo Horizonte uma cidade-jardim. "Aqui tem tudo de que eu preciso: clima gostoso, muita diversão e pessoas de bom coração", diz Pietra Maria Silveira, de 10 anos. Outros, porém, a enxergam por detrás de uma coleção de problemas. "Eu queria que diminuíssem a poluição, o trânsito e as mortes", reivindica Maria Luiza Rocha de Faria, da mesma idade. Percepções de crianças — ora surpreendentes, ora ingênuas, mas sempre sinceras — explicam bem a capital mineira, que nesta quarta (12) completa 115 anos. Desde que o engenheiro Aarão Reis tirou os traços das pranchetas, em 1897, até os dias de hoje, diferentes gerações convivem com belas histórias na memória e com mazelas em sua rotina. E não é por menos. A Beagá que ultrapassou os limites da Avenida do Contorno e ocupou serras colhe os louros e as consequências de ser o sexto maior município brasileiro em população (2,4 milhões de habitantes) e ter o quinto maior produto interno bruto (PIB) do país (45 bilhões de reais por ano), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para conhecer a cidade em que vivemos, a partir da visão espontânea e franca de belo-horizontinos mirins, VEJA BH fez uma pesquisa com 560 crianças com idade entre 9 e 12 anos de doze escolas das redes pública e privada da capital (colégios Arnaldo, Dom Silvério, Duque de Caxias, Loyola, Magnum, Padre Eustáquio, Pitágoras, Sagrado Coração de Jesus, Santo Agostinho, Santo Antônio, Instituto Coração de Jesus e Fundação Torino). Do total, 92% gostam de morar por aqui. Três coisas pesam a favor: há lugares para se divertir, é uma metrópole bonita e é onde também vive a maior parte da família e dos amigos. "A cidade em que eu moro tem problemas como as outras, mas é um ótimo lugar para viver", atesta Victor Navarro de Sousa, de 9 anos. Influenciam negativamente a opinião dos pequenos a violência, o trânsito e a poluição, assim como diria qualquer adulto bem letrado. "Isso prejudica a nossa qualidade de vida", afirma Anna Cecília Percílio Reis Santos, também de 9 anos. Os locais preferidos — a Lagoa da Pampulha, a Praça da Liberdade e o Parque Guanabara — são cartões-postais de Beagá. E no futuro, em que contam com intervenções do governo e mudança nas atitudes de todos os cidadãos, eles querem ser jogadores de futebol, médicos e veterinários. Ainda são jovens para decidir, mas merecem toda a nossa atenção. Veja nas páginas a seguir o que eles querem preservar e o que gostariam de transformar em nossa Belo Horizonte.

OS PREFERIDOS DA MENINADA

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)
Pedro Henrique de Barros (de camisa listrada), Letícia Neves, João Victor Luz, Júlia Varela, Bruno Freire e Carina Oliveira (no sentido horário): ideias surpreendentes # Lagoa da Pampulha

Nos fins de semana não há notícia melhor para Henrique Castelar Brito, de 10 anos, do que quando os pais anunciam o passeio pela Lagoa da Pampulha. "Eu gosto muito de todos os lugares de Belo Horizonte, mas se tem um de que eu gosto mais é a igrejinha, que eu acho a oitava maravilha do mundo", diz ele. Não é só Henrique que se empolga. Na pesquisa realizada com 560 crianças, a Lagoa da Pampulha é, sozinha, o destino preferido de 55 delas (10%). Outras 75 também citam lugares do complexo, a exemplo do Estádio Mineirão, do Parque Ecológico e do Zoológico. Como a resposta era espontânea, cada uma delas podia apontar mais de um local predileto. O conjunto arquitetônico — com jardins e espaços para chutar bola, pedalar e brincar — encanta gerações. O prefeito Otacílio Negrão de Lima, em 1936, iniciou o represamento do Ribeirão Pampulha, numa área ainda rural, para controlar enchentes e contribuir para o abastecimento de água da capital. Juscelino Kubitschek, que seria prefeito de 1940 a 1945, convidou uma equipe de peso — Oscar Niemeyer, Burle Marx, Candido Portinari e outros — para transformar a região em ponto de lazer e turismo. Hoje, os dois possivelmente concordariam com as crianças, que reivindicam a recuperação do cartão-postal. "Eu queria que mudasse a Pampulha porque o cheiro dela é horrível", reclama Paulo Henrique de Araújo, 10. "Despoluindo a lagoa, a gente poderia pescar e curtir a paisagem", afirma Victor Navarro Antonini de Sousa, 9.

# Parque Guanabara

Do alto da segunda maior roda-gigante do país, os suspiros com a paisagem da Pampulha. No chão, sustos pregados por zumbis do castelo do terror e gargalhadas vindas do palácio do riso. "Eu gosto muito da Pampulha e amo o parque de diversões Guanabara", afirma Eduarda Lima Ribeiro, de 9 anos. Ela e os pais são frequentadores assíduos dos mais de vinte brinquedos, alguns deles criados por seu fundador. Na década de 30, o jovem mecânico capixaba Paulo Pereira Dias se dedicava à construção dos equipamentos, e seu tino empreendedor o fez criar, em 1951, o Guanabara Centro de Diversões. Como era comum na época, o parque percorreu diversas cidades do país. Mas quando chegou a Belo Horizonte, em 1964, não saiu mais. Fixou-se primeiro na Avenida Pedro II, no Carlos Prates. Depois, nas ruas Padre Eustáquio e Junquilhos, no Nova Suíça. E, finalmente, em 1970, na Pampulha, bem de frente para a Igreja de São Francisco, onde está até hoje. Nesses 32 anos, são muitos sorrisos para contabilizar. A média diária é de 2 500 visitantes. "Quando eu estou chateado, minha mãe sempre me leva lá", diz Matheus Miranda, 9.

# Praça da Liberdade

Saíram os ternos, entraram os skates, as bolas e as bicicletas. A Praça da Liberdade, antes sede do governo mineiro e agora rodeada por museus e espaços culturais, conquistou a segunda colocação na preferência dos meninos e meninas. Seja durante a semana ou nos dias de folga, está lotada de crianças, como Beatriz Lara Resende Teixeira, de 9 anos. "Aqui ando de bicicleta e faço muitas estrelas", diz a futura "médica, cantora, escritora, bailarina ou atriz", como bem detalha. A alameda central, com suas palmeiras-imperiais, os jardins inspirados nos do palácio francês de Versalhes, as fontes de água e o eclético conjunto arquitetônico formam o complexo tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). Os prédios públicos foram transformados no Circuito Cultural Praça da Liberdade, que já conta com o Espaço do Conhecimento, o Centro de Arte Popular, o Memorial Minas Gerais, o Museu das Minas e do Metal, o Arquivo Público Mineiro, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o Museu Mineiro e o Palácio da Liberdade. Ainda serão inaugurados o Centro Cultural Banco do Brasil, o Museu do Automóvel, o Inhotim Escola e a Casa Fiat de Cultura. "Lá tem o palácio que conta a história de um inconfidente, o Tiradentes, também tem museu e um observatório que dá para ver Marte", conta Guilherme Caporali, 9, ansioso para a chegada das novidades.

PONTOS ALTOS E BAIXOS

O resultado da pesquisa feita com 560 crianças de doze escolas (em número de citações)

Os lugares campeões

1º Pampulha ......................................55

2º Praça da Liberdade .....................44

3º Parque Guanabara ......................42

4º Mineirão .........................................37

5º Praça do Papa .............................33

Os maiores problemas

1º Violência ......................................168

2º Trânsito ........................................141

3º Poluição .........................................84

4º Áreas de lazer ...............................65

5º Casas para pobres .....................36

Fonte: Colégios Arnaldo, Dom Silvério, Duque de Caxias, Loyola, Magnum, Padre Eustáquio, Pitágoras, Sagrado Coração de Jesus, Santo Agostinho, Santo Antônio, Instituto Coração de Jesus e Fundação Torino.

O QUE PRECISA MUDAR

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

# Criminalidade

"Não!" Essa parece ser a resposta unânime dos pais quando os filhos pedem para sair sozinhos de casa. O motivo? Medo. A violência está no topo da lista de preocupações das 560 crianças que responderam à pesquisa feita por VEJA BH — 169, ou 30% do total, pedem mais policiamento. "Não é mais seguro ir sozinho ao meu vizinho, do outro lado da rua", descobriu Lucas Araújo (na foto com o sargento Edgar Pereira e a soldada Bárbara Andrade, da Polícia Militar), de 9 anos. Ele teve a diversão limitada pela sensação de insegurança da família, justificada pelas estatísticas. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), a taxa de crimes violentos da região metropolitana de Belo Horizonte aumentou de 545,05 por grupo de 100 000 habitantes em 2010 para 624,54 em 2011 — um avanço de 15%. Em números absolutos, as ocorrências somaram 32 680 no ano passado — uma média de noventa por dia. Como o governo mineiro mudou a metodologia do cálculo, não é possível comparar os dados de 2012. Os pais estão apreensivos com os pequenos e vice-versa. "Eu queria que os ladrões fossem presos porque a minha mãe é taxista e ela e os outros correm muito risco de vida", preocupa-se Vinícius Rodrigues, 10 anos. E há aqueles que querem, no futuro, combater os criminosos. "Eu quero trabalhar no Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) para acabar com a violência", sonha Bruno Santos, 9.

# Poluição

Lixo no chão, fumaça preta, muros pichados e água suja. Se a poluição passa às vezes despercebida aos olhos dos adultos, incomoda muito a meninada. "Eu acho que a cidade deveria ter mais praças e árvores e o prefeito deveria punir os que jogam lixo no chão", afirma Felipe Tadeu Silva, de 9 anos. A capital produz diariamente 4 500 toneladas de lixo, das quais 105 são resíduos de varrição. "Eu gostaria de mudar os hábitos das pessoas, falando que o lugar de lixo é no lixo, pois quando você passeia pela cidade vê muita sujeira", conta Marcelo de Assis Cerqueira, 10. Algumas crianças sabem mais das consequências do que muita gente grande. "O lixo no chão leva a enchentes", lembra Beatriz Passos de Andrade, 10. Túneis e avenidas são tomados por pichações. Para limpar uma área de quase 4 000 metros quadrados nas avenidas Antônio Carlos, Cristiano Machado e Bernardo Vasconcelos, a prefeitura gastou 225 000 reais de dezembro de 2011 a julho de 2012. "A gente tem que se orgulhar da nossa cidade, mas com a pichação não tem jeito", diz Bernardo de Andrade Haddah Abjaude, 10. O trânsito também é lembrado quando o assunto é poluição. "Os carros poluem o meio ambiente limpo e estragam a camada de ozônio", alerta Gustavo Fernandes Perón, 9. De acordo com a prefeitura, as emissões de dióxido de carbono (CO2) alcançaram 3,75 milhões de toneladas, 18% a mais do que em 2007, ano do primeiro inventário.

# Trânsito

Sentar no banco de trás do carro, esforçando-se para levantar a cabeça e ver o motivo de não sair do lugar, não é menos estressante do que estar ao volante. Um quarto das crianças entrevistadas apontou o trânsito como o segundo principal problema da cidade, atrás somente da violência. "A gente nem pode mais sair de casa, senão fica preso no engarrafamento", desabafa Fernanda Eliza Souza, de 10 anos. "Eu me atraso para o kung fu e minha mãe fica estressada", engrossa o coro Daniel de Mendonça, da mesma idade.O belo-horizontino precisa mesmo de paciência. Em outubro, a capital bateu a marca de 1,5 milhão de veículos, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). É mais que o dobro da frota da época em que eles nasceram — eram cerca de 740 000 em 2002. "Há milhões de carros para as mesmas ruas", observa Luiza Garnier, 9. E ruas perigosas. "Aqui estão acontecendo muitos acidentes, principalmente no Anel Rodoviário", diz Bruno Lages, 10. Na capital, cerca de 20 000 pessoas são vítimas de acidentes de trânsito por ano. Os próprios pequenos têm as soluções na ponta da língua. "Em vez de sairmos de carro, poderíamos usar a bicicleta", propõe Marina Rodrigues Rochido, 10. "Precisamos melhorar o sistema de transporte coletivo", pede Manoela de Mendonça Linhares, 10. Enquanto não há solução, eles indicam bom comportamento. "A educação no trânsito é importante, pois os adultos andam com crianças no carro e falam muito palavrão, dando mau exemplo", constata Rafaela Carazza, 9.

O QUE ELES QUEREM SER NA BH DO FUTURO

# Jogador de futebol

Contando com uma Belo Horizonte diferente, as crianças idealizam seu futuro. Alguns garotos querem virar jogador de futebol por amar verdadeiramente o esporte. Outros, pela fama e pelo dinheiro. "Eu quero me divertir trabalhando e me aposentar com 30 anos", sonha Thiago Jacob, de 9 anos, aluno do Colégio Loyola. E não faz mal nenhum pensar em ser ainda melhor que o próprio ídolo, como Gabriel dos Santos, 10, que pretende "quebrar os recordes do Messi". Ser jogador de futebol é, disparado, a profissão preferida dos meninos, eleita por 88 dos 560 que responderam à pesquisa. E a opção de uma menininha. "Eu adoro futebol e sempre me preparei muito para ser uma goleira", revela Carolina Gouvêa de Almeida, 9.

# Médico

Vestir-se de branco, cuidar de pessoas e seguir a carreira de familiares são as justificativas das crianças que escolheram a medicina para exercer quando forem grandes (81 citações). Ana Beatriz Andrade, de 9 anos, pretende ser pediatra. "Eu gosto de cuidar de crianças", explica. No quarto branco, tem brinquedos com os quais simula o dia a dia do trabalho. Luís Felipe Drummond Guimarães, 9, quer homenagear o avô. "Como não o conheci, quero ser igual a ele." No caso de Bruno Fagundes, 10, a possibilidade de ganhar um bom dinheiro pesou: "É uma profissão que salva vidas e é bem paga". Já Lara Vilela Montovani, 10, só pensa em fazer o bem. "Meu sonho é ser médica obstetra porque, quando vejo uma mulher grávida, quero ajudá-la com a gestação."

# Veterinária

Por enquanto vale brincar com as pelúcias. Mas só por enquanto. Sabrina Kimberly Rodrigues Ford, de 10 anos, quer mesmo é ser veterinária, a terceira profissão preferida das crianças que participaram da pesquisa, com 54 indicações. "Eu adoro ajudar os animais", diz a menina, que escolheu o Parque das Mangabeiras como o canto favorito da cidade justamente por causa dos bichinhos que vivem ali. Sabrina diz estar decidida. Sofia Cardieri Monteiro, 10, nem tanto. "Eu quero ser veterinária, mas só de bichos domésticos, pois eles são muito fofos", afirma.

# Atriz

Flashes, palmas, autógrafos. Se os meninos pensam em ser jogador de futebol, 35 meninas sonham com passarelas, televisão, teatro e grandes palcos de shows musicais. "Eu quero ser atriz e modelo quando crescer, pois gosto de atuar e muitas pessoas falam que eu seria boa nisso", planeja Amanda Khoury Sarmento, de 10 anos. Ela já foi garota-propaganda de campanhas publicitárias em Belo Horizonte e se espelha na modelo Gisele Bündchen e na atriz, cantora, compositora e estilista americana Selena Gomez, também namorada-ioiô do cantor Justin Bieber. A disputa por esse glamour é grande. "Quero ser atriz de TV para alegrar o povo brasileiro", diz Luísa Romeiro da Silva Jota, 10. "Gostaria de ser atriz porque vejo pessoas nos filmes e teatros e acho que lá nós não atuamos, nós vivemos", afirma Serena Brunazzo Brandão, 9.

# Engenheiro

Eles se consideram bons em matemática, acham-se criativos e pretendem fazer parte do crescimento da cidade em que vivem. As obras espalhadas por Belo Horizonte influenciam a decisão da meninada que, no futuro, quer construir. Ser engenheiro é a quinta profissão predileta das crianças — o equivalente a um terço dos que responderam desejar ser jogador de futebol. "Eu quero criar um prédio que não prejudique o meio ambiente", afirma Antônio Renato Mussi Lara de Morais Pires Safar, de 10 anos. Coerente com a sua opção, ele adora o Museu Abílio Barreto, onde está o arquivo da história da capital mineira, e critica a má conservação do patrimônio público. Engenharia civil não é a única área citada. "Serei engenheiro robótico porque eu sou muito criativo para construir robôs", diz Victor Navarro Antonini de Sousa, 9. E tem até aqueles com especialidades pouco conhecidas. "Eu quero ser engenheiro de Lego", inova Pedro Bartolomeu de Araújo, 10.

Asas à imaginação

Algumas profissões curiosas citadas pelos entrevistados

• Cientista geneticista espacial

• Astronauta

• Criador de cobras

• Lutador de UFC

• Dono de uma fábrica de carros

• Integrante da ONU

• Paleontólogo

• Dono de imobiliária

• Hacker da polícia

• Oficial do Exército

• Integrante do Bope

• Testador de games

• Ministra do Supremo

• Consulesa

• Físico quântico

• Infectologista

• Cosmólogo

• Prefeito de Belo Horizonte

• Presidente do Brasil

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

PREFEITO POR UM DIA

Estudante do Colégio Padre Eustáquio, Artur Freitas de Mello gostaria de um dia ocupar a cadeira de Marcio Lacerda. Levamos o garoto para entregar pessoalmente ao prefeito suas propostas

Artur Freitas de Mello, de 9 anos, estalava cada dedo da mão enquanto esperava o prefeito Marcio Lacerda chamá-lo para entrar em seu gabinete. A ansiedade não era para menos. Ele estava para conhecer a única pessoa que, em Belo Horizonte, tem o cargo que sonha ocupar no futuro. "Como prefeito, poderia realizar as mudanças que eu gostaria: uma cidade segura, com mais saúde e educação para a população, e menos poluição", afirma o menino, tímido até sentar na cadeira do administrador da capital. "A sua primeira medida será determinar que toda criança tem de brincar três horas todos os dias?", perguntou Lacerda. "Não era, mas, pensando bem, eu concordo com o senhor", respondeu o garoto. Para chegar até ali, de verdade, o prefeito reeleito deu algumas dicas ao estudante do 4º ano do ensino fundamental do Colégio Padre Eustáquio: pensar no bem do próximo, conhecer as leis e ser justo. Às crianças que reivindicam melhorias, Lacerda explica que, quando assumiu a prefeitura, em 2009, elaborou um planejamento estratégico para a cidade até 2030. Ao mesmo tempo, apresentou o "BH Metas e Resultados" com doze focos de curto prazo, como mobilidade urbana, habitação, tecnologia, saúde, educação e segurança. "Estamos enfrentando os desafios de hoje, mas com uma visão do amanhã, porque queremos construir uma Belo Horizonte que alie crescimento econômico com sustentabilidade e qualidade de vida", disse para o menino, que parece ter entendido o discurso um tanto complicado para sua idade. Já Giulia Cangussei Pinto, de 9 anos, está de olho no país. "Quero ser presidente da República para que todas as cidades sejam desenvolvidas, sustentáveis, seguras e limpas, nos tornando exemplo para o mundo", afirma. "Talvez a gente consiga melhorar a convivência das pessoas", espera Marcelo Souza, 9. Tomara.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE