Cidade

Defensores de animais voltam a protestar contra a venda no Mercado Central

Cães, gatos, aves e roedores são comercializados em um dos corredores do tradicional centro de compras

Por: Daniela Nahass - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Gatos, cães e aves ficam em gaiolas muito próximas: condições impróprias, segundo veterinários

Neste fim de semana, quem passar pela área do Mercado Central ocupada pelo comércio de bichos deverá se preparar para uma algazarra. E não serão os já habituais miados, latidos e piados. Grupos defensores de animais marcaram protestos contra a venda para a tarde de sábado (9) e a manhã de domingo (10). A iniciativa dos ativistas paulistas que libertaram 178 beagles do Instituto Royal, em 18 de outubro, serviu de inspiração para a nova manifestação - a última ocorreu há um ano. A articulação começou e se fortaleceu nas redes sociais. "Queremos chamar atenção para essa situação que envergonha a cidade", afirma a veterinária Marcela Ortiz, uma das organizadoras. "Aves, cães e gatos ficam amontoados em gaiolas minúsculas, aumentando o risco de proliferação de doenças."

Desde sua fundação, em 1929, o Mer­­cado Central comercializa animais. Hoje, catorze das 400 lojas vendem bichos. As manifestações contra a atividade ganharam força em 2009, quando a ex-vereadora Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB) apresentou um projeto de lei que proibia esse tipo de comércio. Depois de suscitar muita polêmica, a ideia acabou rejeitada no plenário da Câmara Municipal. Maria Lúcia entregou no ano passado uma segunda proposta, que foi arquivada ao fim de sua legislatura. Atual superintendente do mercado, Luiz Carlos Braga refuta as acusações de que os animais são maltratados. "Eles estão aqui para ser vendidos, não moram nas gaiolas", argumenta. "Ficam no máximo por uma semana." Braga admite, entretanto, que a bicharada já enfrentou dias piores. Em 2009, após uma leva de protestos, uma veterinária foi contratada para ser responsável pelo setor. "Estamos pagando o preço por uma situação que ocorria havia quinze anos", afirma. "Hoje não se pode falar em maus-tratos."

A questão polêmica parece estar longe de ser resolvida. Uma lei municipal de 1999 proíbe a venda de animais no mesmo local onde se comercializam alimentos. A direção do mercado admite, porém, que essa regra não vale ali. "Somos um conglomerado de lojas independentes, o que é diferente de um shopping ou supermercado", entende Braga. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, não existe mesmo uma legislação em vigor que ofereça respaldo para que a Vigilância Sanitária fiscalize o comércio de animais domésticos na cidade.

Presidente da Comissão Especial de Estudos sobre Políticas de Proteção e Defesa dos Animais da Câmara, o vereador Sérgio Fernando Tavares (PV) diz que o tema será discutido junto com o Código de Saúde, que deverá ser proposto pela prefeitura. "A venda de bichos vai ser regulamentada em toda a cidade", garante ele. Não se sabe, porém, quando isso ocorrerá. A paralisia das autoridades irrita os manifestantes, como a veterinária Marcela: "Dizem que não vão acabar com o comércio de animais porque ele faz parte da tradição do local, mas nem tudo o que é tradicional é ético".

Tudo junto e misturado

Espécies diferentes dividem espaço nas lojas

Há pelo menos trinta anos, o comerciante Marco Aurélio Barbosa vende cachorros, gatos e aves no Mercado Central. Na sua pequena loja, os animais de espécies diferentes ficam em gaiolas separadas, ao lado umas das outras. "Isso não caracteriza maus-tratos", diz ele. Como os outros lojistas de lá, Barbosa não vê nenhum problema no fato de os bichos passarem dias e noites enjaulados. A veterinária Marcela Ortiz, porém, discorda. Segundo ela, a proximidade de espécies diferentes aumenta a possibilidade de proliferação de doenças como a cinomose, uma infecção viral comum em cachorros e que é altamente contagiosa.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE