Mundo Animal

Delegacia especializada recebe seis denúncias por dia, mas pouco consegue fazer pelos bichos que são vítimas

Órgão não tem para onde levar animais que sofrem maus-tratos de seus donos ou são abandonados em via pública

Por: Daniela Nahass - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O comerciante Rafael Santana com a vira-lata Lobinha, que ele encontrou na rua e um dos abrigados na ONG Cão Viver: falta lugar para todos

Criada há um ano, a Delegacia Especializada de Investigação de Crimes contra a Fauna recebe, em média, seis denúncias por dia. Mas pouco consegue fazer pelos animais vítimas de ma­us-tratos. Com apenas três investigadores, uma escrivã e sem delegado titular - a encarregada entrou em licença médica cinco meses depois da inauguração e não há prazo para que volte ao trabalho -, o órgão tem dificuldade em dar andamento à maioria dos inquéritos abertos. Nos casos em que constata algum abuso, a equipe acaba deixando o bicho com o dono, pois falta um lugar para onde levá-lo. "A prefeitura não assumiu sua responsabilidade de construir um abrigo", critica a promotora do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural de Belo Horizonte, Lilian Marotta.

Protetores e ambientalistas que elogiaram a iniciativa em 2013 agora se dizem frustrados com os resultados. "Do jeito que está, ela é inócua", afirma Franklin Oliveira, que mantém um abrigo com noventa cães. Foi o que também concluiu o comerciante Rafael Santana. Em janeiro, ele procurou a delegacia para informar o abandono de gatos em via pública. O rapaz, que é voluntário em entidades de defesa de animais, anotou a placa do carro usado pelos criminosos. Também registrou boletim de ocorrência, mas o caso ficou parado. "Vou pensar duas vezes antes de perder meu tempo novamente", diz. Segundo o vice-prefeito e secretário municipal do Meio Ambiente, Délio Malheiros, a prefeitura lançará, até o fim do mês, um edital para firmar uma parceria público-privada com ONGs. O plano é dar recursos para que elas assumam a responsabilidade pelos bichos resgatados. "Não temos local nem pessoal qualificado para fazer isso", admite Malheiros.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE