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Depois da explosão imobiliária, a Alameda da Serra começa a atrair comércio e serviços

Considerado uma extensão do Belvedere, bairro de Nova Lima tem tudo para virar uma versão mineira da Oscar Freire

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A fachada da mais recente unidade da Villa Vittini: marcas de luxo em espaço de 1 000 metros quadrados

Uma das protagonistas do boom imobiliário na Grande BH nos últimos anos, a Vila da Serra está mudando de cara. O bairro luxuoso, que fica em Nova Lima mas é considerado uma extensão do Belvedere, na região centro-sul da capital, vem atraindo os olhares de empresários do ramo de serviços e comércio. Para esses investidores, o eixo principal é a Alameda da Serra, que tem tudo para se tornar uma espécie de versão mineira da Oscar Freire, rua paulistana que é referência no comércio de luxo. Um dos mais recentes empreendimentos a aportar na via foi a loja-conceito da Villa Vittini, inaugurada em dezembro do ano passado. "Estávamos projetando uma expansão para o Rio de Janeiro, mas, quando surgiu essa oportunidade, decidimos nos consolidar em BH", afirma Gustavo Nogueira, diretor de marketing e operações da empresa. O espaço de 1 000 metros quadrados abriga três operações da multimarcas - casa, mulher e homem -, nas quais são vendidas grifes internacionais como Missoni e Emilio Pucci.

A megaloja chega no momento em que a Vila da Serra se descola do seu irmão Belvedere e ganha vida própria. Segundo levantamento feito pela Valore Imóveis, dentro de três anos o bairro terá 7 500 apartamentos. Com uma ocupação média de quatro pessoas por unidade, serão 30 000 consumidores em potencial. "Isso representa quase três vezes o tamanho do Belvedere", diz Flávio Galizzi, diretor da imobiliária. Recentemente, a Valore terminou a construção de um centro comercial na Alameda da Serra com 37 lojas. Todas já foram alugadas. "Lá está tão valorizado quanto a Savassi e a Avenida Bandeirantes", compara. Morador do bairro, o empresário Fernando Mafuz vinha percebendo seu potencial desde 2002, quando começou a investir na compra de imóveis na planta. Na época, o valor do metro quadrado residencial girava em torno de 3 000 reais. Hoje, beira os 8 000 reais. Ele só não esperava que os preços do comércio também passassem por uma escalada tão alta. "Achei um espaço de 180 metros quadrados cujo aluguel custava 29 000 reais mensais", lembra. Ao encontrar uma área menor e mais em conta, teve a ideia de abrir uma loja de vestidos de noiva em parceria com a mulher, Livia Ribas. Eles investiram 400 000 reais na La Vita, inaugurada em dezembro. Os valores dos vestidos vão de 6 000 a 15 000 reais.

Assim como o comércio, o setor de serviços ganha força. A rede de salões de beleza Tif's, que contava com unidades na Savassi e no Mangabeiras, inaugurou uma terceira filial há pouco mais de dois meses. Segundo a proprietária, Dora Ribeiro, a ideia da expansão surgiu dos insistentes pedidos das clientes. "Elas se mudavam para a Vila da Serra e deixavam de aparecer porque demoravam quase uma hora para chegar até a Savassi", conta. Vizinha do salão, a funcionária pública Adriana Horta agradeceu a novidade. "Quando eu me mudei, em 2005, não havia serviço nenhum", conta. "Eu tinha de fazer tudo nas imediações do meu antigo bairro, o Sion, e perdia muito tempo." Outra abertura festejada foi a do bar Dorival, que funciona no número 841 desde agosto do ano passado. Os sócios já eram donos do Djalma, no Belvedere, e perceberam a carência de espaços de lazer no bairro vizinho. Com investimento de 1,5 milhão de reais, em poucos meses de funcionamento o sofisticado botequim se tornou um dos pontos de encontro preferidos dos moradores. Nada mais natural, pois bairro que se preza tem de contar com um boteco do coração.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE