Gastronomia

Depois de quase ser demolido, o Mercado do Cruzeiro é reformado e segue vivo como nunca

Espaço ganhou lojas de pães, cafés e discos de vinil, além de uma feira de produtos regionais

Por: Rafael Rocha - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

As barraquinhas do projeto Aproxima: variedade de dar água na boca

Hospedado em um hotel no bairro Mangabeiras, semanas atrás, o guitarrista Edgard Scandurra pôs na cabeça que queria comprar produtos típicos de Minas. Já estava a caminho do Mercado Central quando alguém o interpelou e disse que havia na vizinhança outro espaço tão interessante quanto, que acabara de ser revigorado. Ele aceitou a dica de bom grado e se dirigiu ao Mercado Distrital do Cruzeiro. O belo-­horizontino que tirou a dica da cartola estava bem informado. Somente dois meses atrás, o local ganhou novo formato e já entrou para a rota obrigatória de chefs, gourmets e curiosos. Um desfecho bem diferente daquele que chegou a planejar a prefeitura. Em 2011, a administração municipal divulgou um plano para colocar todas as instalações abaixo e erguer ali um hotel e um shopping. Os moradores da região protestaram, e a ideia acabou sepultada. Agora, novas lojas mudaram o clima do mercado, até então um tanto esquecido, apesar de bem localizado. O espaço atual, batizado apenas de Distrital, foi idealizado pelo produtor cultural Kuru Lima. Já desembarcaram ali o bar Balaio de Gato, a butique de pães Cum Panio, a cafeteria Academia do Café, a loja de discos de vinil Discoteca Pública e uma pequena área para shows, exposições e sessões de cinema. "O Mercado ficou mais culto, mais gostoso e mais vivo do que nunca", diz Josiane Simas, presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado Distrital do Cruzeiro (Acomec).

Ainda que a passos lentos, a reviravolta começou dois anos atrás, com uma mo­­vimentação dos próprios comerciantes, que encamparam uma revitalização do local. O toque final veio com a Feirinha Aproxima, que o chef Eduardo Maya promove todo primeiro sábado do mês e tem atraído cerca de 3 000 pessoas a cada edição. No estacionamento, barraquinhas acolhem pe­­quenos produtores de queijos da Serra da Canastra, além de doces, salgados, frutos do mar, sanduíches, vinhos e geleias. "Minas é a Tos­­cana brasileira, e nossa co­­mida não tem rejeição", diz Maya, referindo-se à re­­gião da Itália famosa por sua diversidade gastronômica. É difícil evitar o pecado da gula. As médicas Ana Cristina Al­­varen­­­ga e Bárbara Nardi se fartaram com bolinhos de aipim e pastéis de angu, acompanhados de uma taça de espumante. "O programa superou nossas expectativas", comemorou Ana Cristina.

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A área dos bares e a Discoteca Pública (alto): gastronomia e cultura

O Dis­­trital, que funciona de segunda a sexta, passará a abrir também aos domingos a partir do dia 12 deste mês. Feiras de queijos, vinhos e cervejas artesanais estão previstas pa­­ra os próximos meses. Um bom presente para o mercado, que com­­ple­­tará quarenta anos em dezembro.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE