Política

Depois de ter seu mandato cassado, o vereador Léo Burguês consegue derrubar a sentença na Justiça

O polêmico político se mantém na presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Leandro Couri/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Burguês: "Estou muito tranquilo e confiante"

Ofim de 2011 e o primeiro semestre de 2012 não foram nada fáceis para o ve­rea­dor Léo Burguês. Sua imagem ficou arranhada depois de ele ter defendido um aumento salarial de 61,8% para os parlamentares municipais e de ter sido acusado de improbidade administrativa por haver comprado lanches no bufê de sua madrasta - o que o transformou até em tema de marchinha no Carnaval do ano passado. Mas os problemas parecem não ter interferido no resultado das últimas eleições. Ele se reelegeu com 7 444 votos. Foi o mais votado de seu partido, o PSDB, e o 11º entre os 41 que garantiram uma vaga para a Câmara Municipal. Contrariando diversos prognósticos, também conseguiu se manter na presidência da Casa na atual legislatura. Burguês ainda se vangloriava da vitória quando, na última terça (19), sofreu um novo revés. Diretor do Foro Eleitoral da capital, o juiz Manoel dos Reis Morais cassou seu mandato e o tornou inelegível até 2020. De primeira instância, a decisão baseou-se na ação proposta pelo Ministério Público Estadual (MPE), que acusa Burguês de abuso de poder político e econômico na disputa eleitoral de 2012. A notícia pôs a Câmara em polvorosa. Mas foi só um susto, por enquanto. O tucano obteve, no dia seguinte, uma liminar suspendendo a sentença de Morais até o julgamento do mérito da ação pela corte do TRE.

Pela legislação eleitoral em vigor, a Câmara Municipal não pode gastar com propaganda, em um ano eleitoral, mais do que a média das despesas dos três anos anteriores. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Burguês autorizou, em 2012, 2,7 milhões de reais em publicidade. Quase 1 milhão de reais além da média de 1,8 milhão registrada entre 2009 e 2011. "Sem dúvida, ele feriu os padrões éticos que se esperam do administrador público", escreveu o juiz Morais, em sua sentença. Burguês, porém, sustenta que o cálculo do promotor Eduardo Nepomuceno está errado. "Gastamos até menos do que a lei permite", afirma. O Ministério Público teria desconsiderado alguns contratos aditivos que elevariam o valor efetivamente gasto de 2009 a 2011 para uma média anual de 3,1 milhões de reais. "Qualquer processo como esse causa um desgaste, mas nós, políticos, estamos acostumados com isso", diz Burguês. "Estou muito tranquilo e confiante de que, na segunda instância, ficará provado que a Câmara agiu dentro da lei."

Independentemente do desfecho da história, no prédio da Avenida dos Andradas a avaliação é que o episódio é mais uma mancha na imagem já bastante desgastada do Legislativo municipal. "É claro que isso respinga na Câmara, pois os eleitores, que têm uma visão negativa dos vereadores, acabam julgando o conjunto", afirma o cientista político Rudá Ricci. O vereador Pablo César de Souza, o Pablito (PSDB), argumenta que é preciso aguardar o julgamento final da ação antes de condenar seu correligionário, mas reconhece que a Casa precisa melhorar seu desempenho administrativo. "Temos de exigir melhor gestão dos recursos públicos, não só por causa desse problema."

Aos 43 anos, solteiro e pai de duas meninas, Leonardo Silveira de Castro Pires ganhou o apelido de Burguês no início dos anos 90, quando promovia animados eventos na região centro-sul. Nessa época, foi sócio de algumas das mais badaladas boates de BH, entre elas a Lapogê e a Coliseu, mas a política acabou por tirá-lo da noite belo-horizontina, pelo menos como empresário. Em 2000, Burguês elegeu-se verea­dor pela primeira vez. Ele perdeu a eleição quatro anos depois, mas voltou à Câmara em 2008. As polêmicas políticas nas quais se envolveu viraram assunto na cidade tanto quanto as festas quentes que promoveu na década de 90. Agora, ele terá de provar na Justiça que tudo não passa de intriga da oposição.n

* Colaborou Cedê Silva

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE