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Despoluição da Lagoa da Pampulha não tem data para ser concluída

A expectativa era que a limpeza fosse concluída antes da Copa do Mundo

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Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O tom esverdeado causado pelas algas, o lixo acumulado, os equipamentos de limpeza e a placa alertando para o risco de pescar ali: cartão-postal degradado

Às margens, pescadores lançam seu anzol. Nas águas limpas, atletas remam seu caiaque. Esse era o cenário previsto para a Lagoa da Pampulha durante a Copa do Mundo de 2014, que acabou ficando só na promessa. Agora, a concretização da despoluição do nosso cartão-postal é um sonho que pode virar realidade apenas para a Olimpíada de 2016. É que todas as etapas do processo estão atrasadas. Para piorar, uma delas (a conclusão do sistema de esgoto sanitário) esbarrou - e empacou - na Justiça. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a prefeitura nem se arriscam mais a marcar uma data. Quem passa por lá depara com um quadro triste: espelho-d'água esverdeado e mau cheiro. Dias mais quentes e a baixa quantidade de chuva agravaram as condições, provocando o aumento da concentração de poluição orgânica e a proliferação excessiva de algas. "Quando elas morrem, liberam os gases carbônico, metano e sulfídrico, o que resulta nesse aspecto", explica Weber Coutinho, gerente do Programa de Desenvolvimento de Recuperação da Bacia da Pampulha.

Todos os dias, cerca de trinta funcionários da administração municipal usam dois barcos e uma balsa para fazer a limpeza do espelho-d'água. Recolhem, em média, 10 toneladas diárias de lixo no período de estiagem. Em épocas de chuva, o volume chega a 20 toneladas diárias. O trabalho, porém, é pouco diante do tamanho do desafio. A despoluição da lagoa, que está orçada em 240 milhões de reais, envolve três etapas: desassoreamento, complementação do sistema de esgoto e recuperação da qualidade da água. A primeira delas, a remoção de sedimentos do fundo, é a única que tem ao menos uma previsão de término definida. Até a última terça (28), haviam sido retirados 791 242 metros cúbicos de sujeira. A expectativa é chegar aos 800 000 metros cúbicos previstos até o fim de novembro.

Já a construção de redes coletoras e estações elevatórias para impedir o lançamento de esgoto na lagoa, que é responsabilidade da Copasa, se encontra parada. A implantação dos últimos 4 dos 100 quilômetros do sistema planejado teve de ser adiada por causa dos processos de desapropriação de dezessete áreas em Contagem. Enquanto a pendência não for resolvida na Justiça, a Copasa não traçará novo cronograma para a obra. Assim, a terceira fase também precisou ser suspensa. Só depois que todos os esgotos ao longo da Bacia da Pampulha forem interceptados é que a prefeitura abrirá licitação para os serviços de recuperação da água, um procedimento que deverá se arrastar por quase um ano. Até que todos esses nós sejam desatados, pescas e passeios de barco nas águas limpas da lagoa serão apenas cenas de um sonho.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE