Cidade

Lagoa da Pampulha passa por nova tentativa de despoluição

Previsão é retirar das águas 1.400 toneladas de sujeira

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Jair Amaral/EM/D.A Press/divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Um grande escavadeira instalada na região oeste da Lagoa da Pampulha indica o início ide mais uma tentativa de despoluição no nosso cartão-postal. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), os serviços de dragagem para desassoreamento da lagoa preveem a retirada de 800 000 metros cúbicos de sedimentos, ou cerca de 1 400 toneladas. As obras devem terminar até 11 de janeiro e custar 108 milhões de reais. Captada no fundo da lagoa e em sua parte mais assoreada e rasa, a sujeira será succionada e transportada por meio de tubulações até uma estação para desidratação. Depois, o material seguirá para um aterro municipal.

Segundo o gerente de planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Weber Coutinho, o volume retirado corresponde a oito anos de assoreamento. Segundo ele, até abril, a lagoa estará desassoreada o suficiente para permitir os chamados esportes náuticos de contato secundário com a água, como a canoagem e o remo.

Esse objetivo, porém, só será atingido se, além das obras de dragagem iniciadas este mês, forem concluídas no prazo também as obras de saneamento da Copasa, previstas para terminar em dezembro. A meta é tratar 97% do esgoto produzido na Bacia da Pampulha em BH e 95% do esgoto produzido em Contagem, onde hoje está concentrado o problema.

Esta será a terceira dragagem de resíduos na Lagoa da Pampulha. A primeira ocorreu nos anos 80 e a segunda no começo da década da passada, tendo como um dos resultados a criação do Parque Ecológico, inaugurado em 2004. A novidade, segundo o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho, da Universidade Federal de Minas Gerais, é que pela primeira vez os resíduos serão retirados da lagoa. "É um ambiente de tratamento difícil, por ser uma lagoa pequena situada numa bacia com 500 000 habitantes. Infelizmente, mesmo com a dragagem, a lagoa vai continuar muito rasa, o que tende a piorar a qualidade da água".

Um dos exemplos de sucesso de despoluição no Brasil é o do Lago Paranoá, em Brasília. Como o da Pampulha, o Paranoá também é artificial. O processo de saneamento da bacia inteira, que tem dez vezes o tamanho da bacia da Pampulha, foi feito nos anos 90 e incluiu ações como liberar a pesca de tilápias. É que esses peixes excretam na água o fósforo, o que contribui para a reprodução das algas. A expectativa da prefeitura é que, desta vez, a nossa Lagoa da Pampulha consiga entrar para a lista dos bons exemplos. E que o conjunto arquitetônico da Pampulha possa enfim ter o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, ao qual se candidatou em 1996.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE