Carnaval

Destino antes improvável durante o carnaval, BH espera cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas durante a folia de Momo

O número de blocos que se inscreveram para desfilar dobrou em relação a 2013

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Bruno Figueiredo/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A concentração na Praça da Estação, no ano passado:500 000 pessoas foram às ruas

Reunidos na sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, produtores culturais e artistas participavam de um seminário para discutir como resgatar a tradição do Carnaval em Belo Horizonte. O ano era 2004. "Tentávamos encontrar características próprias em vez de copiar os modelos do Rio de Janeiro e de Salvador", lembra o professor Fabrício Fernandino. Na época, ele era diretor de ação cultural da UFMG. E a cidade parecia o destino perfeito para quem queria passar longe da folia de Momo. "Não acontecia absolutamente nada por aqui." Uma década depois, o cenário é bem, bem diferente. O típico Carnaval de rua, que costuma arrastar milhares de belo-horizontinos para as cidades do interior, ressurgiu com força.

A expectativa da Belotur, empresa que administra o turismo na cidade, é que 1 milhão de pessoas participem da festa em Belo Horizonte neste ano, o dobro da quantidade de foliões que saíram às ruas em 2013. O número de blocos caricatos inscritos para desfilar pela cidade também quase multiplicou por dois: pulou de 72, em 2013, para 137. E a Belotur acredita que poderá chegar a 200, já que muitos grupos preferem sair na base do improviso, sem apoio da prefeitura nem escolta da polícia. Animada com o balanço da última folia, a administração municipal resolveu, depois de mais de duas décadas, levar o desfile das escolas de samba de volta para a Avenida Afonso Pena. Desde 1990, a apresentação ocorria em outros endereços.

Segundo a Belotur, a previsão otimista reflete a mudança de comportamento dos belo-horizontinos nos últimos anos. Em vez de viajarem para assistir aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, seguir os trios elétricos em Salvador ou cair no frevo de Olinda, muitos moradores estão preferindo curtir os blocos da cidade. É o caso do empresário George Silvério, de 30 anos, que, depois de passar sete Carnavais em Pernambuco, foi convencido pelos amigos de que a folia daqui anda tão animada quanto a de lá. Neste ano, resolveu ficar em BH. Começou a frequentar ensaios de diferentes blocos e já está preparando as fantasias. "Pipocaram fotos e vídeos nas redes sociais nos dois últimos anos, e as pessoas começaram a acreditar que Belo Horizonte, enfim, tem Carnaval", diz Renata Andrade Chamilet, produtora do bloco Baianas Ozadas. O grupo, criado por baianos que residem na capital, saiu pela primeira vez em 2012, com apenas sete integrantes. No ano passado, sua batucada conseguiu atrair 20 000 foliões. Para 2014, a expectativa é reunir "somente" 15 000 pessoas. "O Carnaval será mais descentralizado, com atrações espalhadas por toda a cidade", explica. Quem gosta do agito pode preparar o estoque de confete e serpentina.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE