Comportamento

Empresas liberam o uso de bermudas no escritório, mas é preciso ter bom-senso

Movimento iniciado no Rio de Janeiro sugere até os mandamentos para o uso de um traje despojado na firma

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)
Eduardo Nascimento, Thiago Moreira, Rafael França e Igor Afonso (da esq. para a dir.): na sede da Chilli Beans, só o gerente de RH usa traje social

Odesenvolvedor de software Rafael Reis não suportava mais trabalhar vestindo calças jeans. Entrou no site do #BermudaSim - um movimento idealizado por publicitários cariocas para incentivar o uso da confortável (e fresca) peça de roupa nos ambientes corporativos - e cadastrou o e-mail de seu chefe, para que ele recebesse uma mensagem anônima sugerindo a liberação da vestimenta até os joelhos. Não colou. Três meses depois, Reis pediu demissão e saiu em busca de um emprego no qual pudesse trabalhar, digamos, mais à vontade. Na última terça (3), não tinha do que reclamar. Num dia de sol candente, ele dava expediente na Lalubema, a empresa de tecnologia onde está atualmente, com as canelas de fora. Lá, calças compridas são opcionais. "Isso ajuda a minimizar o stress de uma atividade como a minha", argumenta Reis, de 26 anos.

Com o calorão que anda fazendo, funcionários de empresas que autorizam o uso de bermudas comemoram. "Essa abertura em relação às roupas dos funcionários seria fundamental para mim se eu fosse procurar um novo emprego", diz Noele Rodrigues, assistente comercial da fabricante de óculos Chilli Beans. Na sede administrativa regional da companhia, no Mangabeiras, impera a informalidade. Rapazes circulam de bermudas, e os shortinhos das meninas não são problema. Em trajes caretas só trabalha o gerente de recursos humanos, Eduardo Nascimento, que faz questão de se vestir com camisa de manga longa, calça e sapatos sociais. "Quando cheguei, há quase um ano, fizeram até aposta para ver quanto tempo duraria esse meu estilo", lembra o paulistano. "Não mudei, é o meu perfil."

Engana-se quem pensa que essa flexibilização da etiqueta corporativa atinge só empresas moderninhas, repletas de garotões, ou de pequeno porte. No escritório da Totvs, gigante do setor de software que tem cerca de 800 funcionários na filial de Belo Horizonte, o traje informal foi adotado há um ano, após pedidos dos empregados. O tema foi discutido no comitê de vestimentas, e até o presidente, Laércio Cosentino, votou a favor. Bermudas só estão vetadas em um tipo de ocasião: reunião com cliente. Entre os que celebram a conquista está Luciano Andrade, de 43 anos, líder de desenvolvimento. "Trabalhei de terno por quinze anos, mas sempre sonhei em poder vestir bermudas no escritório", afirma. Responsável pelo departamento de RH, Daniela Cabral diz que a decisão teve impacto positivo na pesquisa de clima, que mede a satisfação do pessoal. "Até no inverno há quem venha com perna de fora", conta ela. Aí já é um certo exagero, alertam os próprios idealizadores do #BermudaSim (veja os mandamentos do movimento abaixo). Mesmo em ambientes despojados, há regras que o bom-senso recomenda seguir.

De pernas de fora, mas com classe

Confira os dez mandamentos do #BermudaSim, movimento criado por publicitários em defesa das calças curtas no trabalho

1. Bermudas, só a partir de 29,8 graus.

2. O comprimento adequado é de três dedos acima

ou abaixo do joelho.

3. Short de surfe não é bermuda, samba-canção também não.

4. Uniforme de time não é bermuda.

5. É proibido usar bermuda floral.

6. Em dia de reunião, vá de calça.

7. Jamais use bermuda com camiseta regata.

8. Se mais de duas pessoas zoaram sua bermuda, é sinal de que ela é mesmo inadequada.

9. Não use a mesma bermuda mais de duas vezes na semana.

10. Tenha sempre uma calça na gaveta para um compromisso de última hora.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE