Turismo

A enovolta ao mundo

Desde dezembro, o engenheiro Horácio Barros visita vinhedos dos cinco continentes em um motor home

Por: Augusto Franco - Atualizado em

Pedro Barros/Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Sonho realizado: com os filhos Natália e Pedro Henrique, Horácio Barros conhecerá cerca de 700 vinícolas

Sistemático, o milionário inglês Phileas Fogg apostou com amigos que conseguiria dar a volta ao mundo em oitenta dias. Tratava-se de uma tarefa praticamente impossível nos idos de 1873, quando foi publicada a primeira edição do clássico do escritor francês Júlio Verne, da qual Fogg é protagonista. Não menos sistemático, mas com recursos mais limitados, o engenheiro Horácio Barros apostou consigo mesmo que conseguiria rodar o planeta conhecendo suas mais importantes regiões produtoras de vinho. Tanto na ficção de Verne quanto na vida real de Barros, houve quem duvidasse da proeza. O belo-horizontino de 61 anos, po­­rém, está conseguindo concretizar seu sonho. Na última quinta (21), chegou à Ca­­li­fórnia, a principal região produtora dos Estados Unidos.

Barros, que é separado, viaja em um motor home (trailer motorizado com sala, banheiro e cozinha) na companhia dos filhos Natália, de 27 anos, e Pedro Henrique, de 25, ambos solteiros. Já está na segunda etapa de sua aventura. A expedição começou em 26 de de­­zembro do ano passado, quando ele partiu da capital em direção aos vinhedos do sul do país. Antes de chegar aos Estados Unidos, passou pelo Uruguai, pela Ar­­gentina e pelo Chile. Até o fim da viagem, em junho de 2014, a tempo de assistir à Copa do Mundo em casa, a família pretende visitar cerca de 700 vinícolas em trinta países. "Os rótulos da Califórnia surpreenderam o mundo na década de 70, quando superaram os franceses em um teste às cegas realizado em Paris", conta Barros. "Estou curioso sobre o processo de produção." De lá, ele seguirá para o Canadá, onde visitará produtores de ice wine, bebida preparada com uvas congeladas.

Os vinhos entraram na vida do engenheiro nos anos 90, quando ele participou de uma degustação. Não parou mais de fazer cursos. A pesquisa sobre as técnicas de fabricação das melhores marcas, que começou como hobby, virou um projeto para celebrar a aposentadoria, conquistada em 2010. Ex-funcionário da siderúrgica Usiminas, ele passou meses planejando, na ponta do lápis, cada detalhe da empreitada. Para evitar as despesas com hospedagem, decidiu que o roteiro seria feito no tal motor home. "É uma modalidade pouco difundida no Brasil, mas muito comum no exterior", afirma. Mesmo disposto a dormir e preparar as refeições no veículo, concluiu que as próprias economias seriam insuficientes para pôr o plano em prática e saiu em busca de patrocínio. O primeiro que conseguiu foi justamente para o transporte. O veículo adaptado, avaliado em 320 000 reais, foi cedido pela montadora italiana Iveco.

Somadas todas as despesas de viagem, incluindo o embarque do motor home em navios para ir de um continente a outro, Ho­­rácio Barros calcula que irá gastar 250 000 reais em dois anos e meio. "Não é uma viagem de milionário", diz. "Com organização, muitos conseguiriam fa­­zer." O périplo da família pode ser conferido no site da expedição, que foi batizada de Wine World Adventure (wine­worldadventure.com). Além de fo­­tos variadas, o trio publica uma avaliação para cada garrafa degustada. Foram 198 até a última terça (19). Uma viagem para deixar até Phileas Fogg com inveja.

Mais: Galeria de fotos da viagem

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE