Entrevista

Família Klink detalha, em BH, suas viagens para a Antartica

O navegador Amyr Klink, a fotógrafa Marina Bandeira Klink e as filhas Laura, Tamara e Marina Helena detalham as jornadas no continente gelado

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Dominic Barrington
(Foto: Redação VejaBH)

Férias em família geralmente significam uma esticada até a praia, alguns dias no sítio ou na fazenda. Mas para os Klink quer dizer passar alguns meses dentro de um barco rumo à Antartica. Desde 2005, o navegador Amyr Klink aproveita o verão para levar a mulher, a fotógrafa Marina Bandeira Klink, e as filhas Laura, Tamara e Marina Helena em jornadas pelo continente gelado. A experiência resultou em dois livros, um de fotos produzidas pela esposa e outro escrito pelas meninas com foco na conscientização ambiental. No sábado (4), todo o clã estará em Belo Horizonte para mais uma edição do projeto Sempre Um Papo. A família falará, no Sesc Palladium, sobre a experiência de viajar juntos para um lugar tão isolado e ao mesmo tempo tão fascinante.

Grande Teatro do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, ☎ 3261-1501. Sábado (4), 11h. Grátis. www.sempreumpapo.com.br

Confira uma entrevista com Marina Klink:

Qual foi a primeira vez que você foi para a Antártica?

Foi em 1995. Eu já conhecia o Amyr, mas ainda não tinha casado com ele. Tinha acompanhado a viagem dele entre 1989 e 1991 e fiquie curiosíssima para saber como era o lugar, o que existia por lá que tinha feito com que ele passasse um inverno inteiro. Fui em um barco russo, com uma equipe de filmagem espanhola e foi uma viagem transformadora, até pelo contato que fiz com uma baleia jubarte lá.

Como assim?

Em uma das saídas de bote, uma baleia passou a seguir a gente. E se eu mudava de lugar, ela também mudava, como se estivesse me seguindo mesmo. Até brincaram comigo, falando que ela estava atrás de mim. Resolvi por a mão na água e encostei nela, e naquele momento eu estabeleci um laço com Antártica.

Você lançou recentemente o livro Antártica - A Última Fronteira, com imagens. Como foram feitos esses registros?

Depois da primeira viagem, eu voltei lá com o Amyr algumas vezes. E me impressionou a riqueza de cores e detalhes da Antartica. Todo mundo imagina que ela vai ser monocromática, só branca, mas não. Ela tem muita coisa, muita vida, e muita cor. E como lá é tão difícil de chegar, eu passei a fotografar compulsivamente. Como a fotografia é luz, lá é um local privilegiado, pois não anoitece no verão e o branco ajuda a criar todas as outras cores.

Como você resolveu transformar suas fotos em livro?

Foi por causa de uma bronca do Amyr em uma viagem. Eu estava fotografando e ele me disse para parar com aquilo, que não servia de nada. E aquilo me machucou. Foi quando resolvi que ia fazer então um livro, para levar um pouco daquele lugar para dentro da casa das pessoas. Foi difícil selecionar as fotos, tinha mais de quatrocentas ampliações que precisei ir removendo até que chegasse em um número que coubesse nas pouco mais de duzentas páginas que tinha.

Como surgiu a ideia de levar a família inteira para a Antartica?

Nas viagens do Amyr, as filhas tinham dois momentos: quando ele partia e quando voltava. Nesse meio tempo, entre o ir e o vir, ficava uma lacuna. Eu disse que ele deveria preenchê-la com uma viagem com todo mundo e ele topou. No verão de 2005 para 2006, embarcamos todo mundo para lá e eu me responsabilizei de criar o interesse delas dentro do barco pela viagem. Por que não é uma viagem de férias normal, com hotel, playground, nada disso. Fica a família inteira dentro do barco, então tem que conviver.

E elas se comportaram?

Claro. Eu conheço minhas filhas, estou com elas sempre, sei o que cada uma gosta, não gosta, pensa, enfim. Não tivemos problema nenhum.

As suas filhas também lançaram um livro, o Férias na Antartica. Foi uma ideia delas transformar a viagem em livro?

Na verdade, não. O que aconteceu é que, em uma das viagens, elas iriam faltar a muitas aulas e eu fiz uma proposta para a escola, que além de cumprir com o calendário, fazendo todas as tarefas à distância, elas iriam produzir um conteúdo para levar para dentro das salas de aula. A escola achou uma ótima ideia e aprovou. Quando elas voltaram, tinham tanto para falar que os professores resolveram convidá-las para ir à outras escolas e a coisa pegou. Elas deram mais de 80 palestras em dois anos e numa dessa palestras, a editora estava e as convidou para tranformar aquilo tudo em livro.

Você e o Amyr deram algum palpite?

O que a gente fez foi ajudar a organizar e buscar o aval de gente entendida para o conteúdo que tem uma base científica. Mais do que férias na Antartica, o tema do livro é a conscientização ambiental. Também mexemos para deixar a linguagem do texto um pouco mais uniforme, mas foi só. O resto é delas, são as opiniões das meninas lá e estamos superorgulhosos. O livro já vendeu mais de 20 000 exemplares, foi adotado em mais de quarenta escolas e elas não param de receber convites para falar.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE