Futebol

Escolinhas de Belo Horizonte são vitrine para garotos que sonham ser jogadores profissionais

Observados por olheiros, eles sonham com uma vaga em um clube da capital

Por: Carlos Eduardo Cherem - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Vitor Lobato Moreira, de 7 anos, aluno da Escola de Futebol Santa Tereza: "Vou ser meia ou zagueiro, jogo bem nas duas posições"

Com salários vultosos e muita exposição - no caso das estrelas, é claro -, os jogadores de futebol se tornaram inspiração para a garotada. "E não é só o menino que quer ser atleta. O pai, a tia, o irmão, o primo, toda a família quer vê-lo jogando", diz o ex-goleiro Raul Plasmann, hoje coordenador técnico das categorias de base do Cruzeiro. Pelo seu olhar experiente passam anualmente milhares de jovens interessados em uma chance na Toca da Raposa. Até os anos 70, a seleção de atletas mirins, conhecida popularmente como peneira, era feita por olheiros que descobriam talentos em campos de várzea. Hoje, os torneios en­tre escolinhas, realizados pela Fe­­deração Mineira de Futebol (FMF), é que são vitrine para os candidatos a craque. Poucos, porém, conseguem um lugar ao sol. "Fazemos um planejamento que leva em conta as posições, de acordo com as necessidades do time", explica André Luiz da Silva Figueiredo, gerente-geral do Atlético.

Tanto o Galo quanto a Raposa têm observadores contratados para acompanhar os jogos dos campeonatos entre escolinhas de futebol. O Cruzeiro mantém 200 meninos treinando no clube. O Atlético, 150. Segundo Figueiredo, o alvinegro gasta 6 milhões de reais por ano com a formação da meninada, um investimento que costuma render bons frutos. O atacante Bernard, descoberto aos 13 anos, é um dos exemplos. Sete anos depois, no fim de 2012, o clube recebeu uma proposta de 11,5 milhões de euros para vendê-lo a uma agremiação russa. Não aceitou. Aluno da Escola de Futebol Santa Tereza, no Santa Tereza, onde estão matriculados 350 garotos, Vitor Lobato Moreira, de 7 anos, não esconde suas pretensões. "Driblei sete jogadores e cruzei para meu amigo Felipe, que deu uma bicicleta mas errou. Não foi gol, mas todo mundo me aplaudiu", conta, entusiasmado. Vitor faz aulas às segundas, quartas e sextas-feiras. E, nos fins de semana, só quer saber de ficar com a bola nos pés. "Vou ser meia ou zagueiro do Galo. Jogo bem nas duas posições."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE