Literatura

Escritor mineiro conquista prêmio de literatura infantojuvenil

Livro de Marcílio Godoi foi o vencedor do Barco a Vapor 2012

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Da próxima vez que você errar uma palavra no computador, culpe o Senhor Minúsculo. Travesso, ele mora escondido debaixo dos teclados e muda as letras de lugar quando as pessoas que estão escrevendo se distraem. Foi contando a história deste personagem que o escritor Marcílio Godoi conquistou o prêmio Barco a Vapor 2012, dedicado à literatura infantojuvenil.

O livro "A inacreditável história do diminuto sr. Minúsculo" superou outros seiscentos concorrentes e foi eleito por unanimidade. Mineiro de Araguari mas criado em Belo Horizonte, Godoi conta que chegou a esquecer da inscrição do original no concurso e garante que, mesmo radicado há quase quinze anos em São Paulo, foi inspirado pelo jeito mineiro de falar e contrair as palavras.

Qual foi o sentimento de receber o prêmio Barco a Vapor?

Eu entrei com o texto e tinha me esquecido dele. Tive um primeiro semestre difícil, perdi minha mãe, que sempre foi uma referência. E quando ganhei fiquei surpreso, não imaginava mesmo. Eles estavam em busca de linguagem nova, queriam uma coisa diferente e encontraram no meu uma pegada insólita, meio experimental.

O que o livro tem de diferente?

O personagem, o Senhor Minúsculo, muda as palavras das outras pessoas. Ele vive nos subterrâneos dos teclados, é uma espécie do saci que modifica as palavras mesmo que você não queria. E transforma por divertimento, ele gosta de criar poesias com as palavras que existem. E isso é diferente para as crianças, abre um horizonte para elas, que percebem que podem criar novos sentidos para as palavras com pequenas mudanças, quase como mágica.

Isso de mudar palavras é uma característica da prosa mineira. Ela foi uma inspiração?

Eu saí de Minas, mas Minas não saiu de mim, sou mais mineiro que couve. Até hoje ligo na rádio Itatiaia para ouvir jogos do Cruzeiro, por exemplo. Meu pai ainda mora em Belo Horizonte, meus irmãos também. Como estou em São Paulo há quinze anos, engano bem como paulista. Mas quando estou mais relaxado, já estou falando mineirês de novo. E essa música que sai da boca dos mineiros, a fala dos meus pais e meus avós que é minha ferramenta de trabalho.

Você chegou a ser arquiteto antes de se aventurar como escritor. A sua formação anterior ajuda na hora de produzir um livro?

Um escritor bebe disso, de um trânsito pelas artes. Eu passeio entre a tela do computador, desenhos, pintura e até projetos arquitetônicos. Com o Senhor Minúsculo, eu quis desenhar antes de escrever. E ele saiu espichadinho, parecendo o Carlos Drummond de Andrade, de terno, careca, e também um avô meu. E isso ajudou a definir a personalidade dele, que tem a timidez dos dois, uma coisa bem mineira, meio come-quieto.

Qual a expectativa agora que o livro vai ser publicado?

É uma vontade de que ele alcance ao máximo, principalmente as escolas. Que ele inspire as crianças a buscar mais poesia, que é uma das formas de arte que sensibiliza as pessoas a enxergar os outros em si e deixá-las menos individualizadas. Se despertar em alguma criança esse sentido, já me dou por satisfeito.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE