Tecnologia

Escritório compartilhado reúne empreendedores de oito países dedicados à tecnologia

Empresas no casarão na Rua Curitiba têm incentivo do governo para tirar ideias do papel

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Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O alagoano Paulo Tenorio na piscina de bolinhas: ócio criativo

O bairro São Pedro ficou conhecido internacionalmente pelo apelido de San Pedro Valley, uma alusão ao Vale do Silício, na Califórnia, famoso pela alta concentração de empresas de tecnologia - entre elas, gigantes como Apple e Facebook. Mas outro bairro da capital anda chamando atenção no mercado das startups, como são chamadas as empresas iniciantes no ramo. Fica em Lourdes a sede da Seed (sigla em inglês para Desenvolvimento do Ecossistema de Empreendedorismo e Startups), um escritório compartilhado que reúne quarenta empreendimentos nacionais e estrangeiros. Os inquilinos do casarão na Rua Curitiba foram escolhidos em um concurso internacional, patrocinado pelo governo estadual, no qual foram inscritos 1 367 projetos de 32 países. De sete estados brasileiros e oito nacionalidades, os selecionados receberam bolsas de até 80 000 reais para pôr suas ideias em prática durante um período de seis meses.

Com a criação de três startups no currículo, o americano Drew Beaurline, de 24 anos, é um dos estrangeiros que vieram trabalhar aqui. Recebeu apoio financeiro para desenvolver a versão final do Construct, um aplicativo que conecta todos os envolvidos nas atividades diárias de um canteiro de obras. "O Brasil é um país que terá grandes investimentos em infraestrutura e não possui softwares voltados para essa área", analisa ele.

Belo Horizonte entrou no radar da tecnologia em 2005, quando o Google comprou a Akwan, startup de sistemas de busca fundada por professores da UFMG. Foi a primeira vez que o uruguaio Marcelo Lapi, dono do Softruck, um software de logística para frotas de caminhão, ouviu falar da capital mineira. "Tive uma grata surpresa", diz ele, que também foi aprovado na seleção e chegou em dezembro. "Pretendo continuar aqui quando acabar meu tempo na Seed." Outro que pensa em adotar a cidade como residência permanente é o alagoano Paulo Tenorio, criador do Trakto Pro, aplicativo para celulares que formula propostas comerciais. "Encontrei um ambiente favorável para o desenvolvimento da empresa: economia forte e instituições de ensino de alto nível, como a UFMG e a Fundação Dom Cabral."

Segundo André Barrence, presidente do Escritório de Prioridades Estratégicas do governo estadual, responsável pela Seed, Belo Horizonte está se tornando um polo de startups na América Latina. Há 192 dessas empresas instaladas em BH. No dia 17, Barrence divulgará os selecionados da segunda edição do concurso, que teve 1 435 projetos inscritos, de 34 países. "Os estrangeiros buscam endereços que sejam menos concorridos do que é hoje o Vale do Silício", diz Gustavo Caetano, presidente da Associação Brasileira de Startups. No casarão de Lourdes, além de apoio ao desenvolvimento de seus projetos, eles encontram algo que é muito valorizado no setor: espaço para o ócio criativo. "Chega uma hora em que você precisa relaxar ou não consegue encontrar a solução para o problema", conta Tenorio, fã da piscina de bolinhas. O núcleo de convivência da Seed tem ainda videogame, sinuca e uma grande cozinha onde são realizados divertidos almoços coletivos.

Beagá no radar

A capital mineira está se tornando um polo de empresas inovadoras

192 startups estão instaladas em Belo Horizonte

40 delas funcionam no casarão de Lourdes

80 000 reais é o valor máximoda bolsa dada aos empreendedoresapoiados

1 435 projetos foram inscritos na última edição do concurso promovido pelo Estado

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE