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Especialistas mapeiam os oito terrenos mais valorizados da Grande BH, que resistem ao tempo e despertam a cobiça das construtoras

Juntas, essas áreas têm mais de 186 000 metros quadrados e valem quase meio bilhão de reais

Por: Carolina Daher - Atualizado em

André Pacheco e Joaquim Baeta/Drone Imagens Aéreas
(Foto: Redação VejaBH)

Não há dono de construtora que não se queixe da falta de terrenos em Belo Horizonte. Encontrar uma área disponível na região central é como achar agulha em um palheiro - a alternativa é investir em construções antigas para demolição. "Às vezes, a empresa compra uma casa e tem de esperar anos até que o vizinho resolva também vender seu imóvel para então poder erguer um edifício", diz Marcelo Borges, diretor da GPO Empreendimentos. Mesmo fora dos limites da Avenida do Contorno não é nada fácil conseguir uma área livre para grandes empreendimentos. O que transforma alguns terrenos ainda disponíveis em verdadeiros tesouros. VEJA BH ouviu trinta especialistas nesse mercado, entre donos de imobiliária e corretores, para identificar as áreas que estão no radar dos investidores: oito valiosos terrenos em diferentes regiões da cidade, ideais para a construção de condomínios, shopping centers, hospitais ou escolas. Juntos, eles têm 186 469 metros quadrados e são avaliados em quase meio bilhão de reais. Alguns deles se encontram à venda, anunciados por imobiliárias da cidade. Outros já estiveram em comercialização, mas, por um motivo ou outro, deixaram de ser anunciados - e, mesmo assim, continuam sendo alvo das empresas. "Terrenos bem localizados como esses nunca perdem seu valor", afirma Evandro Negrão de Lima Jr., conselheiro da Câmara do Mercado Imobiliário e do Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi MG). Confira nesta e nas próximas páginas a história dessas ilhas ainda não ocupadas na cidade.

Vale do Sereno

Vizinho ao Belvedere, o Vale do Sereno, em Nova Lima, é conhecido como o bairro dos filhos da Zona Sul. Jovens belo-horizontinos que cresceram em endereços tradicionais da cidade encontraram ali a oportunidade de continuar vivendo em uma área nobre, próxima à região central, pagando cerca de 25% menos pelo metro quadrado do que pagariam em Beagá. "Os moradores do Vale do Sereno são felizardos, residem rodeados de verde e continuam perto de boas escolas, grandes empresas e centros comerciais", afirma Marcelo da Costa Borges, diretor da GPO Empreendimentos. Uma das áreas mais cobiçadas no momento é um terreno nas imediações do Shopping Serena Mall, de 35 000 metros quadrados (o equivalente a cinco campos de futebol), avaliado em 122 milhões de reais. "É um espaço bom para construir torres afastadas umas das outras, garantindo ventilação e privacidade nos apartamentos", diz Borges. Segundo ele, apesar das cifras envolvidas, a venda é só uma questão de tempo.

André Pacheco e Joaquim Baeta/Drone Imagens Aéreas
(Foto: Redação VejaBH)
Alto Santa Lúcia

Apoiada na Lei Extraordinária da Copa, que criou benefícios para a construção de novos hotéis na cidade, a Batur Empreendimentos pretendia erguer um complexo turístico cinco-estrelas na área de 11 340 metros quadrados na esquina das avenidas Nossa Senhora do Carmoe Raja Gabaglia, de frente para o BH Shopping. Mas o empreendimento, que seria batizado de Parc Étoile e deveria ter sido inaugurado antes do Mundial, nem chegou a sair do papel. A empresa informa que ainda não definiu o destino do terreno, que se encontra localizado dentro de uma Área de Diretrizes Especiais (ADE) - as construções ali estão limitadas a 9 metros de altura. No mercado, os rumores são de que a Batur vem trabalhando na aprovação de um projeto para levantar um pequeno centro de compras e uma torre de salas comerciais. A ideia é vender a área já com o projeto aprovado, o que a valorizaria ainda mais.

João Pinheiro

Localizado na Região Noroeste da cidade, o bairro não é um endereço nobre, mas guarda um lote de 15 000 metros quadrados que vale uma fortuna. A área próxima do câmpus Coração Eucarístico da PUC Minas ainda consta como zona rural nos registros da prefeitura. "O proprietário já teve proposta para vender apenas 5 000 metros quadrados, mas não aceita dividir", conta Dilson Alves, captador da Lacoque Imóveis. Atrás dos muros, é possível ver muitas árvores frutíferas, uma verdadeira chácara em meio aos edifícios.

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São Bento

O terreno onde está instalada a churrascaria Raja Grill é um dos mais cobiçados. Já foi posto à venda várias vezes. Em 2008, o ex-governador Newton Cardoso chegou a anunciar a compra, que nunca se concretizou. Mais recentemente, os boatos eram de que o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o Caoa, dono da operação brasileira da Hyundai-Tucson, havia adquirido a área por 47 milhões de reais. Ele, porém, nega. Enquanto ninguém fecha negócio, os empreiteiros continuam sonhando com a terra, onde há um heliponto homologado.

Planalto

Bem pertinho da Mata do Planalto, esta é uma das últimas áreas verdes remanescentes de Mata Atlântica na capital. "É um terreno amplo, ideal para a construção de um condomínio", diz Fabiano Taylor, presidente da Rede Imvista. Além de ficar próximo da Cidade Administrativa, o gigantesco lote se encontra no caminho para os aeroportos da Pampulha e Confins. Os proprietários decidiram se desfazer do patrimônio há dois anos e estão pedindo 1 497 reais pelo metro quadrado. Embora existam algumas construçõese duas lagoas ali, o que tem realmente valor para o mercado é o terreno.

Guarani

"É raro achar um terreno com uma topografia plana e em um ponto tão valorizado dentro da Grande BH", diz Fabiano Taylor, presidente da Rede Imvista, sobre a área localizada no Guarani, que atualmente conta com um galpão de pouco maisde 4 000 metros quadrados. Oficialmente, ela não se encontra à venda. Mas o proprietário, um empresário do setor de varejo que prefere o anonimato, já deixou claro que está dispostoa conversar com candidatos que tenham interesse real. "Não aceito permuta e não quero ser parceiro de nenhum projeto", diz. O terreno foi comprado em 1983, para funcionar como um depósito de móveis. "Se eu não vender a área, vou acabar construindo algumas lojas no local", informa o dono.

Caiçara

Anunciado no site Viva Real, o terreno, avaliado em 108 milhões de reais, está em uma excelente localização "pouco antes do Shopping Del Rey, no sentido bairro Califórnia-Pampulha". Os proprietários, porém, dizem que desistiram da venda. O lugar é utilizado atualmente como estacionamento de caminhões e espaço para leilões de veículos. "Vamos construir galpões para alugar a terceiros", despista um representante dos donos. "E um estádio com capacidade para receber grandes eventos." Segundo ele, a fase ainda é de estudos sobre a viabilidade do projeto. "É uma ideia que pode demorar quinze ou vinte anos para acontecer." De acordo com o anúncio publicado, só com o IPTU os proprietários desembolsam anualmente 300 000 reais.

São Pedro

Com três supermercados de alto padrão, a Avenida Nossa Senhora do Carmo se transformou em um corredor gourmet. Ao lado do Verdemar, encontra-se um dos lotes que enchem os olhos dos empreiteiros. "É um terreno dos sonhos, pois está no caminho da volta para casa de quem mora nos condomínios mais luxuosos", diz Marcelo Borges, diretor da GPO Empreendimentos. Segundo os corretores ouvidos por VEJA BH, o metro quadrado na região custa em torno de 4 200 reais, o que significa que o terreno valeria 30 milhões. Mas os donos pedem quase o dobro: 50 milhões. Não é à toa que ainda está vazio.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE